segunda-feira, 13 de novembro de 1995

PICO MARIA COMPRIDA (nov/1995)




Em novembro de 1995, Eu e Herbert saímos de carro do Rio de Janeiro em direção à Petrópolis com a finalidade de conquistar o que é considerado o maior monolito do Brasil e um dos maiores do mundo, o Pico Maria Comprida com 1926 metros de altitude. Maria Comprida é uma das montanhas que mais chamam a atenção dos usuários das estradas que dão acesso a Petrópolis, não só por sua beleza, mas principalmente pela sua imponência entre outras que compõe uma bela cadeia de montanhas. Antes da entrada de Petrópolis encontramos com o restante do pessoal que formaria um grupo de dez pessoas. Então partimos em direção a Araras, distrito de Petrópolis, e de fácil acesso pela Br-040, com entrada na altura do km 65 na direção de Juiz de Fora – Rio de Janeiro. Araras oferece belas surpresas e delicadas descobertas. Emoldurada por uma paisagem exuberante, em que se destaca o Pico Maria Comprida, a região possui alternativas para quem procura recantos românticos, com excelentes pousadas e ótimas opções para uma boa comida, além de um ambiente natural preservado, aliados ao trato acolhedor de sua gente. Nada melhor que se hospedar e relaxar em pousadas cheias de charme e conforto, tomar um café da manhã delicioso com produtos da serra e depois sair para passeios e diversão. São opções de caminhada, rapel, escalada, cavalgada, banho de cachoeira, visita a fazendas históricas e de produção e a ateliês de arte e artesanato. Os restaurantes da região que fazem parte do Vale dos Gourmets de Petrópolis oferecem ambiente aconchegante e gastronomia diversificada de excelente qualidade. Maria Comprida é uma montanha clássica do montanhismo petropolitano, e o nível da caminhada é de semi-pesada a pesada, com desnível aproximado de 1.200 metros e com duração entre 2h30 min e 4h00 horas somente ida, dependendo da forma física de cada um e das condições do terreno. Em Araras deixamos os carros nas proximidades da entrada do sítio Capoeirão e seguimos até o final da estrada do mesmo nome onde existe uma placa de nome "Sitio João e Maria, caminhamos um pouco mais além até chegar realmente na entrada da trilha. Logo no começo da trilha pegamos uma subida que rapidamente foi se elevando, tornando-se uma enorme escadaria com pequenos lances em pedra e barrancos escorregadios. Continuamos sempre subindo, agora em terreno bastante encharcado e com muitas flores, se não me engano, orquídeas, até chegar a um local onde existe uma pedra que contornamos e pegamos a crista principal dos camelos. A subida dos camelos é uma parte linda da trilha, mas deve ser feita com muito cuidado, pois a inclinação da crista é bem íngreme até a chegada dos camelos. A parte final deste trekking tem trechos difíceis, onde é necessário fazer a chamada “escalaminhada” uma espécie de caminhada trepando em pedras, onde o uso de cordas é aconselhável. No camelo descemos à direita com ajuda de uma corda para pegar a segunda corcova do camelo. Seguindo a trilha pela segunda corcova chegamos a base da pedra, onde derivamos para a esquerda até a trilha começar a subir novamente e dar de encontro com um paredão onde existe uma canaleta. Para chegar ao cume é necessário subir esta canaleta, o que só é possível com o uso de corda. O guia foi na frente subindo sem o auxílio da corda para amarrá-la num grampo existente acima de uma pequena árvore. São aproximadamente 20 metros de escalada até o final da canaleta, com deslocamento de pequenas pedras e uma lama barrenta que constantemente caem sobre nossas cabeças. Para finalizar pegamos mais alguns pequenos lances de subidas e rampas inclinadas, para finalmente chegarmos ao topo. Chegamos ao cume totalmente sujos de lama, porém plenamente recompensados por mais essa conquista. Curtimos bastante aqueles inesquecíveis momentos que passamos lá em cima e sem dúvida nenhuma posso garantir que é uma das montanhas mais bonitas de toda região. A vista de 360º do cume é maravilhosa e podemos vislumbrar várias cadeias de montanhas em todos os ângulos, simplesmente divinal.
Lanchamos, descansamos, tiramos muitas fotos e depois de cerca de 1:30 min resolvemos descer. Na descida o cuidado deve ser redobrado devido aos escorregões. Normalmente o tempo de descida equivale ao da subida, e quase as escuras chegamos onde estavam nosso carros, e assim terminou mais uma bela aventura na Região Serrana do Rio de Janeiro.











Dicas
1- Como Chegar: Proveniente da rodoviária de Petrópolis pegar o ônibus terminal Corrêas. No terminal pegar o ônibus para Araras, e pedir para descer na entrada do sítio Capoeirão. São 3 km de subida até onde existe um portão azul no final da estrada do Capoeirão.
2- O uso da trilha não está proibido mas quem quiser usa-la deverá entrar em contato com Sr. Jayme del Cueto, com antecedencia de no minimo 72 horas para que a passagem seja liberada, o contato pode ser pelo e-mail:jaymedelcueto@delcast.com.br. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou através do celular de número: (21) 9358-3919. A solicitação por email de constar: Nome completo, identidade, telefone e celular do guia responsável para contato durante a escalada e de todos os participantes para liberar a passagem pela Guarita do Condomínio Rock Valley; chegada à guarita do condomínio depois da 07.00hs e saída antes das 17.00hs, estacionar os veículos fora da propriedade, antes do portão do sitio. Em caso de chuva nas 72 horas que antecedam à caminhada esta autorização estará automaticamente cancelada.
3- Quando Ir: O inverno é a melhor estação do ano para se caminhar/escalar os morros de Petrópolis, principalmente nas de maior duração e/ou com pernoite, pois o tempo é bem mais estável. Nas demais estações é possível ir, mas esteja preparado para chuvas principalmente no final da tarde, no verão as temperaturas podem chegar perto dos 40°C.
4- Material Necessário: 2 cordas de 50 metros(uma para ser deixada na descida do camelo, e recolhida na volta, e outra para a subida da canaleta.
5-Cuidados: O grupo não deve ser de mais de 8 pessoas. A trilha requer cuidados em várias passagens.
6- Na ancoragem das cordas é necessário conhecimento técnico de escalada. Para muitos está caminhada só deve ser realizada com auxílio de uma pessoa com conhecimentos técnicos de escalada, para ajudar nos trechos mais expostos da trilha.
7- Não há pontos para coleta de água nesta caminhada. A trilha na floresta e perto do cume pode estar um pouco fechada.

quinta-feira, 28 de setembro de 1995

PEDRA DA GÁVEA


Eu e o Herbert conquistamos o cume da Pedra da Gávea pela primeira em setembro de 1995. A Pedra da Gávea ganhou este nome devido ao seu formato de cesto, conhecido como Gávea (cesto onde se localizava um observador nas antigas embarcações) e é hoje uma das montanhas mais freqüentada do Rio de Janeiro e talvez do Brasil, porém é onde acontece grande número de acidentes, inclusive mortes, causados muitas vezes por montanhistas com pouca ou sem nenhuma experiência que ousam transpor suas encostas bastante íngrimes em busca de aventuras sem equipamentos adequados e pessoas experientes para guia-los.
Sua trilha é considerada semi-pesada e muito técnica, com duração entre 3 a 4 horas de caminhada e lances de pequenas escaladas até o final do percurso, é provavelmente a caminhada mais bonita da cidade, mas sua trilha é bastante cansativa. Estando localizada no Parque Nacional da Tijuca com seus 842 metros de altitude é o maior monolito a beira mar do planeta, formado basicamente de gnaisse e granito, despertando assim grande interesse por sua imponência, mistério e histórias contraditórias. Várias histórias e lendas caem sobre esse marco natural do Rio de Janeiro, sendo as mais conhecidas que a montanha foi esculpida pelos antigos Fenícios, que deixaram lá o rosto do seu imperador, além de um grande portal que levaria a outras dimensões e que em seus olhos existem antigos textos fenícios que ainda não foram decifrados.
Na base da Cabeça de Imperador
O ecossistema da Pedra da Gávea é característico da Mata Atlântica secundária, mas ainda existem resquícios das matas originais nos pontos de difícil acesso. Podemos encontrar árvores de todos os portes e uma floresta exuberante na vertente da Barra e também algumas bromélias e orquídeas que somente é encontrada na Pedra da Gávea. Para quem é adepto do montanhismo de escalada ou alpinismo na Pedra da Gávea existem várias opções de vias com dificuldades que variam de 1º a VII graus em vias clássicas e até A3 em artificial. São no total cerca de 20 vias com até 350m de extensão, sendo que uma das mais conhecidas é a clássica Travessia dos Olhos.
Marcamos o encontro as 8:00 hs com o restante da galera na Praça Desembargador Araújo Jorge na Barra da Tijuca, é a pracinha onde ficam alguns bares, inclusive o bar do Oswaldo. Dali seguimos para a Estrada Sorimã, onde entramos por um portão de um condomínio, depois de avisar ao segurança que íamos fazer a trilha para a Pedra da Gávea. Caminhamos até o local do início da trilha propriamente dito onde existe um placa com um mapa e um resumo das informações da trilha que inicialmente passa por um caminho colonial de pedras com alguma ruínas históricas. A trilha começa tranqüila e logo passamos pela Cachoeira do Sorimã que nos dias mais quente ao final da trilha os aventureiros costumam se refrescar em suas águas. Após a cachoeira a trilha se torna com uma subida bastante acentuada e aproximadamente 1 hora depois pegamos o primeiro trecho de escalaminhada, que é realizada com a ajuda de raízes e troncos de árvores. Logo depois surge um outro obstáculo na trilha, uma grande laje de pedra muito escorregadia onde foi colocado alguns degraus de ferro e um cabo de aço para ajudar, o que torna essa subida bem mais fácil. Passamos desse ponto chegamos a Pedra do Navio, um interessante conjunto rochoso com uma gruta, de onde temos um belo visual da Barra da Tijuca. A trilha após a Pedra do Navio segue ainda com um bom aclive e com muita erosão até a chegada da segunda escalaminhada, onde é preciso ter todo cuidado para evitar escorregões, pois a subida é feita em blocos de pedra com muito limo devido a umidade do local. Seguindo a trilha em poucos minutos chegamos ao local chamado Praça da Bandeira, local descampado e plano onde se encontram as 3 trilhas para a Pedra da Gávea, a primeira é a que começa na Estrada do Sorimã (Barra da Tijuca), e segunda começa na Estrada das Canoas (São Conrado) e a terceira é uma trilha que liga a Pedra Bonita a Pedra da Gávea. Até aqui seguimos a trilha sob a proteção das copas das árvores, agora em área descampada o sol quente deixava a sensação térmica de mais de 40º de temperatura e logo chegamos a um mirante com uma magnífica visão da Barra da Tijuca, da Cabeça do Imperador e de outras montanhas da região. A cabeça do Imperador ou Cabeça do Gigante como também é conhecida é uma grande imagem de um gigante esculpida na pedra, exibindo um belo visual para quem sobe a trilha. Seja uma acidental obra da natureza ou não, a semelhança é muito grande e realmente parece uma escultura de um gigante.
Seguimos uma trilha bem estreita e com uma tremenda ribanceira do lado direito até chegar à famosa Carrasqueira que é um paredão de pedra com grande aclive de aproximadamente 30 metros. Este trecho é uma escalada considerada fácil e o mais lento de toda caminhada, pois muitas pessoas que chegam neste ponto pela primeira vez e com pouca experiência pensam em não fazer o restante do percurso., pois alem da grande subida a nossa frente existe na parte traseira um enorme precipício, necessitando de um guia com conhecimento da área e utilização de material de segurança para obtenção de todo suporte para que não ocorra acidentes, pois qualquer erro poderá ser fatal. Depois de muito tempo para ultrapassar a "Carrasqueira" o grupo enfrentou uma subida muito ingrime até chegar ao Portal da Gávea com seus 15 metros de altura localizado a nordeste da Cabeça do Imperador, dizem que esse portal liga a Pedra da Gávea a outras dimensões e a outros lugares sagrados do mundo como por exemplo, Machu Pichu. Superado o Portal pegamos um pequeno trecho de vegetação até o topo e mesmo extenuados pelo cansaço a chegada ao cume é recompensada por uma fantástica visão de 360º, a vista que se tem do seu topo é considerada por muitos a mais espetacular do Rio de Janeiro.

Descansamos, lanchamos e fomos explorar o local, primeiro pegamos um caminho para a direita que fica de frente para São Conrado, podemos ver toda a Baía da Guanabara, grande parte do Parque Nacional da Floresta da Tijuca, incluindo o Corcovado e a Pedra Bonita, zona sul, Centro, Niterói com a ponte que liga ao Rio e toda cadeia de montanhas da Região Serrana, depois o caminho da esquerda que vai para a Cabeça do Imperador, onde fica o ponto mais alto da Pedra, mas para chegar lá é preciso muito cuidado, pois necessitamos descer uma pequena encosta com auxilio de um cabo de aço e depois fazer uma pequena e escorregadia escalaminhada para chegar topo da cabeça, mas todo esforço vale a pena, com o visual de toda Barra da Tijuca aos nossos pés, Baixada de Jacarepaguá e o Maciço da Pedra Branca. E depois de curtir cada pedacinho do cume e tirar muitas fotos desta exuberante montanha, retornamos a trilha para a descida. Além de todas as histórias e lendas, que por si só já levam qualquer pessoa a querer conhecer essa linda caminhada, e de seu fantástico mirante de onde é possível contemplar boa parte da cidade, essa talvez seja a caminhada mais bonita do Rio de Janeiro. A vista do topo da Pedra da Gávea é simplesmente maravilhosa. Lendas e histórias à parte, só o fato de conquistar essa montanha já vale todo o sacrifício.

Dicas

1. A caminhada deve ser percorrida com auxílio de um guia, com equipamento de segurança adequado e com bastante cuidado. Entre os equipamentos importantes para o caminhante levar, estão a corda, lanterna e agasalhos.
2. O acesso para a Pedra da Gavea se dá tanto pela Barra como por São Conrado ou Itanhanguá. Pode-se chegar à Pedra da Gávea também a partir da Pedra Bonita.


3. A água é muito escassa nas partes altas, porém, nas bases é possível encontrar pequenas cachoeiras dentro de florestas densas.
4. Caso você não possua experiência em escaladas ou não tenha equipamento de segurança procure um grupo ou pessoa que a tem, os clube de montanhismo cariocas estão aí para isso mesmo, para passar as experiência e conhecimento dos mais velhos no esporte para os mais novos, essa é a essência de nossos clubes.
5. quando ir: O ano inteiro, de preferência em épocas com temperatura mais amena.

quarta-feira, 17 de maio de 1995

PEDRA DA CRUZ (maio/1995)


Pedra Da Cruz

Em maio de 1995, Eu e o Herbert partimos para Teresópolis com o objetivo de alcançar pela primeira vez o cume da Pedra da Cruz com seus 2234 metros de altitude localizado no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, posteriormente outras duas vezes estivemos por lá. Sua trilha é de fácil acesso e de baixa dificuldade, porem extensa, levando de 4 a 6 horas para atingir seu cume. Cerca de 90% do acesso a pedra é feito pela trilha da Pedra do Sino, e durante a caminhada podemos observar diversas espécies de plantas com belíssimas flores e animais silvestres, tudo isso devido a grande biodiversidade existente na Serra dos Órgãos, alem de paisagens deslumbrantes como a da Cidade de Teresópolis e da cadeia de montanhas do Parque Três Picos em Nova Friburgo. Depois de muito subir chegamos a um local conhecido como “Cota 2000”, onde a esquerda existe uma trilha bem fechada pela vegetação em direção a Pedra da Cruz por onde descemos, mais adiante encontramos uma bifurcação onde à direita chega-se ao Caminho das Orquídeas, trilha aberta em 1965 para facilitar o acesso a Agulha do Diabo. Seguimos a trilha da esquerda agora subindo em direção a Pedra da Cruz, até que chegamos em uma área descampada onde uma densa neblina fazia com que subíssemos as muitas pedras encontradas pelo caminho com toda a atenção, pois qualquer descuido poderia trazer graves consequências. Enfim depois um sobe e desce de pedras finalmente chegamos ao cume, e para variar todo tomado pela neblina que insistia em nos deixar sem qualquer visão num raio de 360 graus. Sentamos para descansar e comer algo e depois de aproximadamente uns 30 minutos São Pedro, cujo pico que leva seu nome e fica bem ali ao lado deu aquela força e o tempo abriu totalmente com aquele sol maravilhoso. De seu cume vislumbramos cenários espetaculares como a Agulha do Diabo, o Mirante do Inferno e os Picos de São João e São Pedro que ficam bem a nossa frente, além de outras montanhas da bela Serra dos Órgãos. No cume existe uma cruz numa das pedras que somente é visto na tomada de um certo ângulo, dando por este motivo o nome Pedra da Cruz.
Depois de muitas fotos retornamos ao caminho de volta e chegamos até a porta do parque com mais uma missão cumprida.

Flor na trilha








domingo, 16 de abril de 1995

PÃO DE AÇÚCAR(abril 1995)



Localizado no Rio de Janeiro, bem na entrada da Baia de Guanabara, o Pão de Açúcar, é talvez, a mais bela e sem dúvida a mais conhecida montanha do Brasil. Muitos pensam que o Pão de Açúcar só é acessível através do bondinho ou escalando seus paredões com diversas vias muito íngremes, que exigem muita dedicação aos treino e equipamentos adequados de escalada, porém poucos sabem que na face direcionada para a Baia da Guanabara, conhecida como Costão do Pão de Açúcar que é menos inclinada existe uma escalaminhada (misto de escalada e caminhada). Não é necessário nenhum conhecimento prévio em montanhismo, apenas muita disposição para encarar o longo percurso até o cume e pode ser feita por pessoas de todas as idades, desde que tenham como pré-requisito, o espírito de aventura. Toda a atividade, entre escalada e descida, tem duração média de 4 horas dependendo do tamanho do grupo. 
Então como somos aventureiros em abril de 1995, Eu, herbert e nossas esposas, juntamente com outros amigos resolvemos desfrutar dessa emocionante aventura que é a conquista de um dos mais famosos cartão-postal do Brasil- o Pão de Açúcar com quase 400 metros de altitude. O ponto de encontro foi as 8:00hs na Praia Vermelha e com tudo checado, seguimos para a pista Claúdio Coutinho, com aproximadamente 1200 metros de comprimento, contornamos o Morro da Urca até chegar ao Costão do Pão de Açucar. Passamos pela torre de alvenaria e alcançamos a trilha em meio a vegetação, desse ponto já conseguimos ver belos visuais da região de Niterói, Baia de Guanabara, Itacoatiara, forte de Sebastião, Alto Mourão, entre outros e após o meio da trilha podem ser avistados a Praia e o Forte de Copacabana e alguns minutos depois de caminhada alternando terreno de terra e rampas de pedra chegamos a base do morro do Pão de Açúcar, onde encontramos um paredão com cerca de 20 metros de altura, praticamente uma escadinha natural cuja subida foi realizada por meio de uma escalada, com todo material de segurança apropriado(cordas e mosquetões) e auxílio do nosso guia. Essa parte da aventura é a mais demorada de todo percurso, pois a subida é realizada de uma pessoa por vez, garantindo assim total segurança. Após a chegada ao cume do Pão de Açúcar, a grande recompensa é a visão que temos de toda Cidade Maravilhosa bem aos nossos pés. Desde a Baía da Guanabara, podemos ver também toda a zona sul, Centro, Região Serrana, Niterói, Urca, etc. É a hora em que paramos para descansar e fazer o nosso lanche. A descida é feita em parte pelo bondinho até o Morro da Urca e o restante até a Praia Vermelha pela trilha.

A subida do Pão de Açúcar pelo costão é um passeio inesquecível que enche os olhos com paisagens deslumbrantes só vistas pelos aventureiros que se arriscam por este caminho, vale muito conferir.

DICAS

1. O melhor período para a realização dessa subida é pela manhã bem cedo ou na parte da tarde, quando a parede está na sombra. No período da manhã, no sol, depois das 10:00 h o calor pode ser muito forte.

2. A recomendação da Federação de Montanhismo é que o grupo tenha no máximo 7 pessoas.





sexta-feira, 10 de março de 1995

TRAVESSIA PETRÓPOLIS X TERESÓPOLIS VIA VALE DA TAPERA - RJ






Quando se fala em travessia entre Petrópolis e Teresópolis, a primeira que vem a cabeça é a mais famosa do Brasil, cortando as altitudes do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, passando por inúmeros e belos vales e por imponentes montanhas e pedras como a do Castelos do Açu e do Sino. Mas, além desse trajeto com quase 40 quilômetros, existe outras alternativas de caminhada entre os dois municípios. Uma delas é uma que tem início no Vale do Cuiabá, em Petrópolis e término na cidade vizinha, no bairro da Posse, em Teresópolis. Além de poder admirar toda a beleza da região, suas montanhas e natureza exuberante, pode-se incluir na aventura a caminhada até o cume da Pedra do Cantagalo e da Tapera.
Com o objetivo de realizar esta travessia, Eu, Herbert e outros amigos saímos do Rio de Janeiro e subimos a Serra com destino a Petrópolis, precisamente para a Estrada que liga Itaipava a Teresópolis, onde iniciamos a trilha próximo a curva da Ferradura, já com uma altitude de 1320 metros. Desse ponto já visualizamos a imponente Pedra do Cantagalo com 1.785 metros de altitude, e após aproximadamente 2 km chegamos a um vilarejo conhecido como Tapera, que faz parte do bairro Vale da Boa Esperança. O que chama a atenção nessa região é a simplicidade de seus moradores, várias casinhas de pau-a-pique, água captada nas nascentes e em algumas delas não há sequer energia elétrica, apesar da proximidade com duas cidades e tendo como vizinho um grande condomínio. Bastante atenciosos, os moradores nunca deixam de cumprimentar os caminhantes e informar o caminho correto: à esquerda de um castigado campinho de futebol e depois a trilha da direita. Pegamos uma subida de aproximadamente 3km até a base do Cantagalo, é a parte mais cansativa da trilha, não fomos até o cume, porém dava pra ver algumas das principais montanhas da região serrana, como Maria Comprida, Alcobaça e a Pedra da Tapera, ou Carneiro como também é conhecida. Passamos por um local com árvores de médio porte e de muitas bromélias, apresentando uma natureza bem preservada e chegamos a uma parte da trilha conhecida como 7 torres, e depois uma grande descida até o centrinho do Bairro da Posse já em Teresópolis 
Para quem gosta de caminhar, essa travessia é muito bonita, mesmo sem ir ao cume do Cantagalo. Indo ao Cantagalo são 16 quilômetros no total, sendo classificada como pesada, passando direto e descendo pelas torres, são 12 quilômetros, sendo considerada uma caminhada semi-pesada.