segunda-feira, 7 de março de 2005

TORRES DE BONSUCESSO - CENTRAL E FERRO DE PASSAR/TERESÓPOLIS-RJ



Saímos do Rio de Janeiro e nos dirigimos a Teresópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro, assim que chegamos à Bonsucesso, entramos à direita, numa leve subida, com uma Igreja no alto. Há uma placa indicando Lucios. Seguimos numa rua asfaltada, em condições razoáveis, até que tudo virou barro. Era caminho tortuoso e com tanto buraco que, por vezes, achava que o carro não iria resistir, mas quando percebemos estávamos no meio de uma plantação de alfaces e bem a nossa frente as famosas torres de Bonsucesso.
Estacionamos o carro ao lado de uma casa e, continuamos fascinados com o que víamos, um paredão vertical, onde afloram as imponentes torres, cortadas por grandes fendas, que vão desde a base até o alto, dando a impressão de que realmente são torres, devido a suas alturas de quase meio quilômetro, se estendendo por toda a cabeceira do lugar conhecido como Vale do Lúcio.
As Torres de Bonsucesso é um conjunto formado por três torres de granito: a Torre Maior (2.000 m), a Torre Central (1.860 m) e o Ferro de Passar Roupa (1.630 m) e ficam localizadas no Parque Estadual dos Três Picos entre as cidades de Teresópolis e Friburgo, num distrito chamado Bonsucesso.
Começamos a caminhada com destino a Torre Central por uma estradinha de chão, até  passarmos por uma pequena porteira e cruzamos um riachinho por sobre uma laje. O riacho nessa época estava reduzido a um mero fio d’água. Do outro lado começamos a trilha, com uma subida tranquila até encontrarmos algumas bifurcações, mas seguimos sem erro pela trilha principal, um pouco mais aberto. Algumas fitas nas árvores nos ajudaram na orientação. Depois de quase 1 hora de subida, entramos numa parte mais íngreme, neste trecho da trilha a vegetação fechava nossa visão e ainda não víamos o nosso destino. Um barulho de água corrente nos acompanhou nesse início da caminhada, provavelmente estávamos próximo a uma nascente, pois mais para cima era só um paredão salpicado por muitas bromélias
Conforme íamos subindo a mata começava a ficar menos fechada e logo as torres apareceram, elas estavam ali soberanas, como guardiães, tomando conta de seu território. Mais alguns metros chegamos a uma pedra, um verdadeiro mirante, onde batemos algumas fotos do belo visual que se apresentava.
Quando a trilha chega a uma crista que forma o lado direito do fundo do vale, saímos da mata e passamos a subir por dentro de um samambaial. Já conseguimos ver o ferro de passar, nossa primeira meta, logo acima e a esquerda. Em pouco tempo as samambaias dão lugar a um capim alto e continuamos subindo passando alternadamente por trechos escorregadios e algumas lajes rochosas. Chegando a crista, a trilha quebra para a esquerda e seguimos por ela. Saltamos alguns blocos rochosos até que chegamos a base do Ferro de Passar. Ali a trilha que desce para a direita é o caminho para a Torre Média. Porém antes tomamos uma via à esquerda e subimos o topo do Ferro de Passar. Do cume do Ferro tem-se ampla visão do Vale do Lúcio bem La embaixo e das outras torres a nossa direita. A visão é muito bonita e passamos uma meia hora por ali. Dizem que parece um ferro, e daquele ângulo realmente parece. Encontramos neste pedaço da trilha muitas bromélias e orquídeas floridas e outras flores também que serviram para amenizar a subida, pois o céu estava limpinho e o astro-rei nos castigava.
Voltando a base do Ferro de Passar, descemos a trilha em trecho íngreme e escorregadio agarrando as raízes ali existe, pois era a única forma de evitar um tombo. Chegamos ao fundo, e a trilha voltou a subir, contornamos  o Ferro de Passar e continuamos a subida pela crista. Minutos depois chegamos a grande chaminé, a direita da Torre Central, para quem olha lá de baixo. Dali, passamos por trás dela até chegarmos ao lado esquerdo. Subimos um pequeno trecho de trepa-pedra, um pouco exposto. A única segurança são pequenos arbustos e raízes encontrados ali e depois disso, um grande paredão de quase 500 metros. Pessoas sem experiência devem usar algum tipo de proteção.
Enfim chegamos ao cume, um lugar mágico, com um visual daqueles de tirar o fôlego. De qualquer um que ama a natureza. As montanhas se perdiam no horizonte, com o verde predominando em todas as direções. Olhando no sentido de Teresópolis, vislumbramos ao fundo toda cadeia da Serra dos Órgãos, com destaque para o Dedo de Deus, o Escalavrado, e a Pedra do Sino. Bati centenas de fotos. Curtimos muito aquela fascinante montanha, ainda mais contando com a colaboração da brisa e do sol que completavam harmoniosamente aquele ambiente. Realmente parecíamos fazer parte de todo aquele conjunto de muita paz e harmonia.
Assinamos o livro de cume, meu filho Gabriel, muito empolgado, pois era a primeira vez que assinava um. Lanchamos, e por volta das 13 horas começamos o retorno depois de momentos muito agradáveis na companhia de amigos nesta fascinante montanha. Na descida tudo ocorria dentro da normalidade até que por descuido meu, tropecei e enfiei a cara numa grande bromélia, cheia de água dentro de sua folhagem, nada grave, apenas muita zoação da galera, falando que bebi uns dois copos de água, cheio de aedes aegypti, hehehehehehehe. Dava para ver o caminho que fizemos na subida, muitas vezes marcado na vegetação rasteira. Descemos devagar, e eu fui parando para tirar algumas fotos enquanto o resto do pessoal ia a nossa frente. Subi numa pedra, abaixo do Ferro de Passar, de onde fiquei acompanhado a galera descer, num zigue zague constante até desaparecer  no meio do verde da vegetação. Muito legal esta cena.
Quase 2 horas depois chegamos ao estacionamento, e olhando para aquelas torres fascinantes, bem distantes e altas percebemos o quanto subimos. E logo vem um pensamento, que bela perambulada realizamos hoje.





































































































sábado, 31 de julho de 2004

CACHOEIRAS DO MENDANHA - CAMPO GRANDE / RJ


Domingo de sol, porém em pleno inverno, estava em casa sem nada para fazer, resolvi então encontrar com alguns amigos que iam conhecer as Cachoeiras do Mendanha, localizadas na Área de Proteção Ambiental do Gericinó-Mendanha e dentro do parque Municipal do Mendanha em Campo Grande, em plena Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Com a maior área de mata atlântica primária do município, esta APA é considerada uma Reserva da Biosfera pela UNESCO e suas cachoeiras são uma sucessão de bonitas quedas-d'água de tamanhos e formas distintas.
Este pequeno paraíso que é desconhecido até para muitos moradores que residem na região, possui fácil acesso, pois fica próximo à Avenida Brasil, permitindo que pessoas de diversas regiões da cidade possam frequentar o local. Porém, até chegar ao início da trilha pode ser de difícil orientação para quem não conhece o local. Da Avenida Brasil, entramos na Estrada do Mendanha, e alguns minutos depois na Estrada Abílio Bastos, onde seguimos até o seu final e deixamos nosso carro no estacionamento localizado próximo onde iníciamos à subida da trilha.
A trilha é formada basicamente por uma área de mata fechada e  inicia em uma pequena ponte, sendo o primeiro trecho da trilha relativamente íngreme e bem sinalizado até certo ponto, ficando depois por conta da intuição de cada um, pois a mesma bifurca em certos pontos, porém é só seguir o caminho mais aberto. Caminhamos tendo uma temperatura agradável mesmo com um dia bastante ensolarado. Mantendo uma subida constante, a trilha é bem definida e percorrida com absoluta tranquilidade, exigindo apenas um pequeno fôlego para enfrentar a sua subida e mantendo-se sempre pelo caminho mais definido nas poucas bifurcações existentes. A única grande bifurcação que gera dúvidas fica localizada a cerca de 40 minutos do início. Nessa parte existe uma trilha que sobe e outra maior que desce, o caminho correto é para baixo.
Já na parte final, conseguimos escutar o som da água, sinalizando que estávamos próximo de nosso objetivo. Levamos aproximadamente uma hora de caminhada na trilha para chegarmos às cachoeiras, deparamos-nos com três quedas d’água. O rio Guandu do Sapê gera as cascatas, que formam piscinas naturais onde relaxamos e curtimos a natureza ao redor num gostoso banho em suas águas límpidas, onde praticamos também o “escorrega” numa queda-d'água em forma de um tobogã natural por onde os banhistas escorregam com toda segurança pela pedra até a próxima piscina. Nesse mesmo poço do escorrega existia uma corda que estava presa na encosta do morro  e que ia até o outro lado do rio. As pessoas se amarravam em uma outra corda e desciam fazendo uma espécie de tirolesa e caíam dentro do poço. Apesar de não ter participado desta aventura, acho que, deve ser muito legal. Porém na última cachoeira praticamos um fascinante Cascading, que é o rapel em cachoeira, foi muito show essa descida.

COMO CHEGAR: Seguir pela Av. Brasil (no sentido Centro – Zona Oeste). A entrada para Campo Grande é feita pela Estrada do Mendanha que corta a Av. Brasil por baixo. Vire para a direita nessa estrada e siga até o final, depois virar a esquerda, subir uma pequena serrinha, virar a direita na Estrada Abílio Bastos (existe uma placa mostrando a entrada para a estrada) que começa em frente a uma igreja Batista que existe no lado esquerdo da descida da serrinha), seguir na Abílio Bastos até aparecer uma escola e em fim, virar a esquerda. Desse ponto em diante a pista é de terra. Se você não tem um 4X4 e tem amor pelo seu carro, é melhor estacionar e seguir a pé até o início da trilha. Caso contrário é possível fazer um pequeno rally e estacionar o carro mais acima.