domingo, 10 de janeiro de 2021

CAMINHOS DE DARWIN - NITERÓI/MARICÁ/RJ

 


Em 2008, realizaram-se em várias partes do mundo as comemorações referentes ao aniversário de 150 anos do lançamento da Teoria da Evolução das Espécies pela Seleção Natural, desenvolvida de forma independente por Charles Darwin e Alfred Wallace. Integrando essas comemorações surgiu o projeto Caminhos de Darwin – um roteiro turísticocientífico cujo principal objetivo é proporcionar um resgate da importância do Brasil na história da ciência mundial. Esta comunicação tece considerações sobre a metodologia de construção do projeto que, para refazer o roteiro do naturalista, debruçou-se sobre a leitura do diário e das cadernetas de campo sobre sua passagem pelo Rio de Janeiro.


O britânico Charles Darwin, em sua viagem a bordo do navio Beagle, passou pelo Brasil em 1832. De 4 de abril a 5 de julho permaneceu no Rio de janeiro e, entre 8 e 24 de abril, empreendeu uma expedição ao interior do Estado. Caminhos de Darwin une as 12 cidades do Estado do Rio de Janeiro por onde o naturalista passou. Rio de Janeiro, Niterói, Maricá, Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Casemiro de Abreu, Macaé, Conceição de Macabu, Rio Bonito e Itaboraí. 

Nosso percurso

Darwin passava os dias coletando, observando e estudando o comportamento desses animais e suas anotações foram importantes para a formulação da Teoria da Evolução e o principio da seleção natural. Mas, se a fauna e a flora brasileira causaram deslumbramento e estupefação ao naturalista, o mesmo não se pode dizer dos hábitos dos brasileiros. Darwin criticou em seu diário de viagem, por exemplo, quando pernoitou na fazenda Itaocaia a existência de escravos no Brasi, pois era forte crítico da escravidão e defensor da igualdade de direitos e contra os privilégios destinados aos homens de posses.

Nesta nossa aventura realizamos com os amigos da Zona Oeste o circuito percorrido pelo naturalista na divisa entre os municípios de Niterói e Maricá, começando na localidade do Engenho do Mato e terminando em Itaocaia em Maricá, com um total de 8,7 Km. Passando por estradinhas de terra, floresta de mata atlântica e do alto uma visão da Fazenda e da Pedra de Itaocaia, tudo isto visto da Serra da Tiririca. No final da trilha comemoramos o aniversário de nossa querida amiga Marilza com um delicioso bolo.
Descrita pelo naturalista inglês Charles Darwin como “um dos enormes morros de granito, íngremes e nus, tão comuns neste país”, a Pedra de Itaocaia já foi palco de muitas histórias e lendas.
Pedra de Itaocaia


















Ao fundo Pedra Itaocaia


Fazenda e Pedra Itaocaia





domingo, 30 de agosto de 2020

Pico Boaventura - Maricá/RJ

 


O percurso não é tão difícil, é uma trilha leve superior, com subidas íngremes e duração de 5h (ida e volta), que começa próximo a sede da Unidade de Conservação do Espraiado e da cachoeira do Espraiado, onde há uma entrada numa propriedade particular. Seguimos subindo por mata fechada, já na Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), através da antiga propriedade do Padre Boaventura, contornando as ruínas do local, passando antes por pequenas quedas de água e alguns riachos até uma área de pastagem já no alto da montanha. Por ser uma área de pasto vá preparado para encarar o sol forte, pois há poucas sombras . E na reta final, o ataque ao cume, aí sim, só vai conseguir subir quem estiver com o preparo físico em dia. Mas, para quem conseguir, a vista recompensada com belas paisagens, como a pedra do Silvado em Maricá, algumas praias de Niterói, os três Picos e Pico da Caledônia em Nova Friburgo, além da Pedra da Gávea e do Maciço da Pedra Branca no município do Rio de Janeiro. No retorno, na metade do caminho há uma bifurcação, onde existe a possibilidade de voltar pelo mesmo caminho por onde iniciamos a trilha, ou por outro um pouquinho mais longo, porém com belos visuais.





























sábado, 15 de agosto de 2020

 

MIRANTE DO IMPERADOR - ITAGUAI / RJ


Com um grupo de amigos do AZO( Amigos da Zona Oeste), partimos para o município de Itaguai/RJ, para conquistar a Pedra do Imperador ou Mirante do Imperador. Uma trilha leve superior, sem grandes dificuldades técnicas, que tem seu início no pequeno bairro de Santa Sofia. A trilha que se inicia na Serra da Calçada, tem grande importância histórica. Uma vez que o caminho foi utilizado pelo imperador D. Pedro I em 1822, por ocasião da sua viagem a São Paulo, para um dos mais importantes aconteciments de nosso país: o Grito do Ipiranga e a Proclamação da Independência do Brasil. Alguns dizem que esta estrada com calçamento pé-de-moleque, com um nível de preservação muito grande,que é uma característica das construções do período colonial, foi construída pelos Jesuítas baseados na Fazenda de Santa Cruz e outros falam que foram os escravos os autores da obra.Portanto temos ali um testemunho não só da técnica, mas também de toda a istória que envolve esse período colonial e o tráfego de riquezas durante o ciclo do ouro e, possivelmente o do café.Por volta do ano de 1700, o então governador Luiz Vaía Monteiro ordenou a construção desta estrada chamada “Caminho dos Jesuítas” ou “Estrada Real”, que se tornou necessária para a Coroa Portuguesa, pois foi uma importante via terrestre que garantiu a comunicação da cidade do Rio de Janeiro com São Paulo, pois era uma tarefa quase impossível por terra, devido a barreira natural criada pela Serra do Mar. Além de tornar mais rápido essa comunicação entre estas cidades, este caminho serviu também para combater a pirataria que ocasionava os constantes naufrágios na rota marítima. A Estrada Real foi o eixo principal do processo de urbanização de Itaguaí. Era utilizada por tropeiros, comitivas, aventureiros e viajantes que queriam alcançar as minas de São Paulo e Minas Gerais em busca de riquezas minerais. Relatando mais sobre a trilha. Com seus 4,3 km de extensão, somente ida, o circuito percorre boa parte com calçamento pé-de-moleque e transpõe a garganta existente entre a Serra da Calçada e a Serra do Itaguaçu, na área da Serra do Matoso em Itaguaí – RJ. A trilha é quase toda percorrida em mata fechada, com variedade de árvores e plantas, mostrando uma natureza bucólica e quase intocável, poucos trechos de área descampada, nestes trechos, apesar da exposição do sol, já era possível ter uma vista de toda a região rural de Itaguaí e algumas serras em horizonte longínquo. Encontramos pequenas quedas d'aguas e ruínas de antigas casas ao longo do percurso, além também de extensas Plantações, principalmente bananais. No último trecho antes da chegada do mirante, nos deparávamos com uma escada feita com tronco de árvore, que nos auxiliou para transpor uma grande pedra para realmente chegar ao nosso objetivo. Após quase 3 horas de caminhada, finalmente chegamos ao cume do Mirante do Imperador. Com seus mais de 600 m de altitude, o Mirante é formado por um conjunto rochoso, de onde se tem uma vista privilegiada de toda a zona rural de Itaguaí e partes de Seropédica. Também era possível observar uma longa extensão da Rodovia Arco Metropolitano (RJ-493), a rodovia Governador Mario Covas (BR-101), a baía de Sepetiba com porto de Sepetiba, quase toda a extensão da Restinga da Marambaia, o vale do Mazomba, mais ao longe, a Serra do Mendanha e mais distante, o Maciço da Pedra Branca.. Abaixo do mirante está a Pedra de Santo Antônio, também conhecida como “Pedra da Inscrição de Bronze”, com fragmentos dos dizeres: “Prezidência de Província 1822.. O visual é incrível e, apesar do fácil acesso, o local ainda é desconhecido e pouco explorado pelos trilheiros. Vale muito, mais muito mesmo, uma visita a este local.


Início da trilha

Na trilha







Mirante do Imperador

Mirante do Imperador





Escada para chegar ao cume

Visual da região


No cume