sábado, 15 de abril de 2006

TREM DE PUNO A CUSCO - PERU



Deixando de perambular na trilha, perambulamos por trilho desta vez. Pegamos o trem em Puno pouco depois das 7:00h. Despachamos nossa bagagem e seguimos para o embarque, já no trem tivemos a agradável surpresa de encontrar com os nossos amigos de Uberlândia Valdir e o seu filho Felipe, que conhecemos na subida do monte Chacaltaya e que também seguiriam para Cusco. No trem conhecemos mais duas moças, Carla e Roseli, moradoras do Rio de Janeiro, que estavam fazendo um roteiro bem parecido com o nosso, a diferença é que elas iriam fazer a Trilha inca para Machu Pichu. Elas também estavam com o mesmo problema com o vôo de regresso ao Brasil. O delas, estava marcado para o dia 22 de abril e queriam antecipá-lo para o dia 21 de abril. Pelo menos ficamos sabendo que existia um vou para o Brasil dia 22 e talvez fosse a nossa opção de retorno. O trem da Peru Rail, que faz esta rota, é bastante confortável e com amplas janelas que possibilitam uma visão panorâmica. Este é considerado o trem mais “alto do mundo” que chega aos 4.400m (La Raya) de altitude. Somente turistas viajam nesses vagões. No inicio da viagem, o trem seguiu lentamente margeando o Lago Titicaca, em seguida começamos subir e passar por imensas fazendas de criação de alpacas e vicunhas. Logo o Valdir, de Uberlândia, sentou-se conosco e começamos um bate papo. Falávamos principalmente sobre a beleza da paisagem quando fomos interrompidos por uma simpática funcionária da ferrovia que nos ofereceu uma bebida tradicional da região andina, muito gostosa, de nome Pisco. O Pisco é um produto natural produzido com o suco de uva, fermentado e destilado. Agora a paisagem começa a mudar, entrávamos em terra mais altas e frias, logo começamos a ver as montanhas nevadas da cordilheira Chimboya, lugar onde nasce o rio Vilcanota, um dos principais afluentes do rio Amazonas, que alguns quilômetros mais ao norte converte-se em um caudaloso rio que banha as selvas de Machu Picchu e do Vale Sagrado. O trem fez uma parada em uma localidade chamada La Raya – limite natural entre Puno e Cusco – onde pudemos desembarcar, contemplar e fotografar a beleza da região. Retornamos ao trem e seguimos viagem. Estávamos meio sonolentos quando fomos surpreendidos com uma apresentação folclórica no nosso vagão, um típico casal peruano cantava e dançava com os passageiros, músicas andinas. Muito legal! O trem começou a descer, as montanhas geladas ficaram para trás, o trem agora cortava imensos vales que eram serpenteado pelo belíssimo Rio Huatanay. Pouco tempo depois entramos em uma cidade, o trem diminuiu a velocidade, agora, seguíamos bem devagar, até que paramos em uma estação. Era Cusco, estava terminada a mais bela viagem ferroviária que já fizemos...
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sexta-feira, 14 de abril de 2006

ILHAS FLUTUANTES E ISLA TAQUILE DO LAGO TITICACA


O entardecer no alto do Morro do Pai Inácio.
Manhã do dia 14 de abril, sexta-feira da paixão, estava frio e chovendo. O Peri acordou muito resfriado e resolveu não ir ao passeio nas ilhas flutuantes. Às 8:00h a van passou para nos pegar e levar até o cais onde embarcamos em uma lancha, que levou cerca de 30min até o nosso primeiro destino: As ilhas flutuantes do povo Uros no lago Titicaca, antiga população que fugindo dos Incas e espanhóis se refugiaram em suas águas. As ilhas, são feitas de camadas de totoras, vegetação abundante nessa área do lago, que são colocadas uma sobre as outras formando as ilhas onde vivem comunidades inteiras. Casas, barcos, tudo é construído com totoras. Com o tempo a ilha vai afundando e torna-se úmida, por isso novas camadas são constantemente adicionadas, fazendo com que a espessura da ilha alcance mais de 5 metros. Paramos em uma delas, onde desembarcamos para conhecer a vida dos moradores, que vivem basicamente da pesca e da venda de artesanato. O nosso guia fez uma pequena apresentação, tiramos algumas fotos, conversamos com o povo local e compramos artesanato. Em seguida embarcamos novamente na lancha e seguimos para o nosso segundo destino: A ilha Taquile. Distante cerca de 2:30h a Ilha Taquile é a maior do lago titicaca no lado peruano, é habitada por nativos de língua quéchua que ainda conservam suas tradições intactas. São conhecidos também pelos seus produtos têxteis feitos à mão, considerados entre as manufaturas de melhor qualidade do Peru.
Ao chegarmos ao ancoradouro, o tempo tinha melhorado e já aparecia um sol meio tímido. O nosso guia informou que havia um caminho que a circundava, e que, em mais ou menos uma hora chegaríamos em uma praça onde havia um museu, restaurantes e lojinhas de artesanato local, muito caro por sinal. Nesse caminho passamos por paisagens muito bonitas. Ao chegarmos na praça central do povoado, deparamos com muitos turistas estrangeiros e também nativos com suas vestimentas típicas. A cor do gorro para os homens indicam se são casados ou solteiro. No caso nas mulheres é o tipo de saia utilizada que indica o seu estado civil. Almoçamos em um pequeno restaurante e depois retornamos à trilha para voltar ao nosso barco. A viagem de barco de volta a Puno foi lenta e cansativa, o Valdir chegou a dormir deitado no convés. Já estava anoitecendo quando chegamos de volta ao píer, uma van nos levou de volta ao hotel. Lá encontramos o Peri, que já estava bem melhor, então, ele nos deu 2 notícias, uma boa e outra ruim: A boa é que os bilhetes do trem foram entregues no hotel direitinho. A ruim, foi um telefonema que recebera de casa dando conta de uma ligação da LAB para a casa do Valdir informando que o nosso vôo de retorno ao Brasil tinha sido transferido do dia 23 de abril, domingo, para o dia 24 de abril, segunda-feira e deveríamos entrar em contato com a empresa para confirmar. Depois do susto inicial e com as lojas fechadas por conta do feriado, resolvemos deixar esse problema para resolver assim que chegássemos a Cusco.
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quinta-feira, 13 de abril de 2006

SALAR DE UYUNI E ISLA DEL PESCADO - BOLÍVIA


A manhã estava muito fria, como também tinha sido a noite anterior, em nosso hotel não havia café da manhã, por isso fomos tomá-lo no mesmo restaurante onde jantamos na noite anterior. Em seguida fechamos a conta e seguimos para a operadora que nos levaria ao Salar.Lá conhecemos o nosso motorista e o nosso carro: Um Toyota 4 x 4 com sete lugares para passageiros, um enorme bagageiro em cima onde tinha um pequeno fogão, um bujão de gás e pneus sobressalentes. Embarcamos no carro e sentamos no banco logo atrás do motorista e em seguida fomos pegar os outros componentes da nossa expedição. Conosco no carro embarcaram duas dinamarquesas e um espanhol, também ia uma cozinheira boliviana, encarregada do nosso almoço, que se acomodou ao lado do motorista. Todos a postos, seguimos para o Salar. O Salar de Uyuni é um imenso deserto de sal com cerca de 12000Km2, que foi formado com a evaporação da água salgada de um imenso lago pré-histórico, localizado no sudoeste da Bolívia a mais de 3800m de altitude, em plena cordilheira dos Andes. A primeira imagem do Salar é simplesmente fantástica, na parte inferior da nossa visão víamos aquela imensidão branca e na parte superior o azul do céu e ambos encontravam-se no infinito. Ao redor, podemos apreciar os magníficos vulcões com os seus picos nevados. Paramos na entrada do salar para conhecer um pouco da vida daqueles homens e mulheres nativos, que raspam o chão para ganhar o seu sustento. Também lá, existem pequenas lojas onde se pode comprar artesanato feito de sal. No caminho até a Islã Del Pescado paramos em um hotel que foi totalmente construído com sal. Desde .....
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quarta-feira, 12 de abril de 2006

TRILHANDO EM POTOSI - BOLÍVIA


Não foi uma noite muita tranqüila, volta e meia acordávamos com os solavancos do ônibus, por voltas das 7:00h da manhã finalmente chegamos a SUCRE. Situada a 2800m acima do nível do mar a cidade é considerada pelos bolivianos a capital administrativa da Bolívia, sendo La Paz a capital financeira. Também, é considerada pela Unesco, patrimônio cultural da humanidade. Ainda na rodoviária optamos por ir de táxi para Potosi que fica a quase 3 horas de carro e saímos em campo para pechinchar um bom carro com um bom preço. Fechamos com um senhor de nome Carlos que nos propôs 120,00 Bol , mais ou menos U$15,00 com direito a um city tour de 1 hora pela cidade. Visitamos o convento de la Recoleta, a Plaza 25 de Mayo onde fica a catedral da cidade e o castillo de la glorieta uma bela construção de estilo barroco que estava fechada para restauração.
Em seguida iniciamos a viagem para Potosi. A viagem de carro foi tranqüila e confortável, seguimos por uma rodovia asfaltada cortando rios praticamente secos e vendo belas paisagens do interior Boliviano. Chegamos a Potosi por volta das 12:00h, a cidade que prosperou por causa das minas de prata fica a 4100m acima do nível do mar . A riqueza gerada pela prata deixou um importante legado arquitetônico barroco com lindas praças e dezenas de igrejas com rico acervo de arte sacra. Por isso em 1987 a cidade foi declarada Patrimônio da Humanidade. Por sugestão do Carlos, nosso motorista, seguimos para o Hotel El Turista, lá negociamos nossa estadia até o dia seguinte ...
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segunda-feira, 10 de abril de 2006

VALE DA LUA E MONTE CHACALTAYA - LA PAZ / BOLÍVIA



Às 8:00h da manhã já estávamos (Eu, Herbert eo meu amigo Peri) na porta do hotel aguardando o pessoal da agência que passaria para nos pegar, para irmos ao Vale da lua e ao Chacaltaya. A ansiedade era muito grande, afinal, iríamos ver a neve pela primeira vez. A Van chegou, embarcamos, e fomos pegar as outras pessoas que fariam conosco o passeio. Entre elas estava o Marcos, português de nascimento, que morava nos Estados Unidos e estava viajando pelas Américas a cerca de 6 meses. Também conhecemos uma dupla de brasileiros, Valdir e Felipe, pai e filho, moradores de Uberlândia no triângulo mineiro, que apesar de fazerem um roteiro diferente do nosso, estiveram conosco em boa parte dos lugares que conhecemos. Todos acomodados, partimos para a nossa aventura.
Nossa primeira parada, o Vale da Lua. Situado à 15Km de La Paz, esse lugar é uma seqüência de crateras e cânions esculpido pela erosão e que de fato, lembra o solo lunar. Andamos pelo lugar, tiramos fotos e seguimos para o local que todos esperavam: O Chacaltaya. O nosso guia, um boliviano muito simpático, explicou-nos, enquanto a nossa van se esforçava para vencer as subidas íngremes da parte alta da cidade, que o Chacaltaya fica a 35 Km de La Paz e o seu cume a 5490m, nosso carro nos levaria até uma estação de esqui desativada à 5300m, e de lá faríamos o ataque final ao cume. No caminho, já fora da cidade, paramos para comprar água e tirar fotografias num platô onde era possível ver o imponente monte Illimani com seus 6490m de altitude, cujo cume está sempre coberto de neve. Continuamos, agora por uma estradinha sinuosa e com muito cascalho, passando por lagoas coloridas e paisagens surreais. Um pouco mais adiante a estradinha começou a ser margeada pela neve e era possível avistar em todo o seu esplendor o Pico Huyana Potosi com seus 6090m e também,o nosso Chacaltaya, uma visão impressionante!, belíssima ! Ainda estávamos anestesiados com a paisagem quando a Van parou. O nosso motorista informou que devido ao gelo acumulado na estrada não conseguiríamos ir adiante,
e deveríamos seguir o restante do caminho a pé. A distancia não era longa, mas caminhar na neve naquela altitude era bem desgastante. Em pouco tempo chegamos a estação de esqui, menos o Perí, que estava sentindo bastante a altitude e caminhava com um pouco de dificuldade. Aguardamos a sua chegada, estávamos preocupados, conversamos com ele, que resolveu não ir ao cume. Nos despedimos e começamos a subida. Logo no início da caminhada percebemos que vencer os 200m que nos separavam do cume não seria uma tarefa fácil. O vento gelado e o cansaço provocados pela altitude dificultavam ainda mais. Caminhávamos lentamente, dávamos cerca de 40 passos e parávamos para descansar. Nesse ritmo, alcançamos o primeiro estágio da subida, uma rampa desativa para esquiadores. Aguardei sentado a chegada do Valdir. Assim que chegou fui ao seu encontro achando que tínhamos chegado ao cume e para minha decepção apontou para o verdadeiro, uns 100m ainda acima. Tive vontade de desistir, mas ele me incentivou a continuar, afinal, como ele sempre dizia: “Só o cume interresa!”. Então, após um breve descanso ...

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