terça-feira, 18 de abril de 2006

MACHU PICCHU E HUYANNA PICCHU - PERU

                                                       A Cidade Perdida ddos Incas


Acordamos bem cedo, por volta das 5 da manhã, a ansiedade era grande, afinal iríamos conhecer Machu Pichu, situada a 2400 metros de altitude, em meio à selva andina e uma cadeia de montanhas. A cidade foi construída há mais de 500 anos pelos incas, e foi declarada Patrimônio Histórico da Humanidade, título concedido pela UNESCO.
Saímos para encontrar o nosso guia Juan, que nos levaria para tomar café num restaurante localizado bem frente à estação de trem de Águas Calientes. Ainda estava escuro, porém o dia prometia grandes surpresas. Tomamos um bom café e saímos em direção ao ponto do ônibus, fazia um frio até gostoso e o dia começava a clarear no povoado de Águas Calientes. Só então podemos observar melhor o pequeno vilarejo que fica num belíssimo vale espremido entre as montanhas e o Rio Urubamba. O local não tem grandes atrativos, a não ser as fontes de águas termais, que não fomos conhecer por falta de tempo, porém a pequena Águas Calientes é base para quem vai conhecer Machu Pichu. Pegamos o primeiro microônibus que sai às 6:00h para o Parque, por sinal bem confortável e com muitos turistas estrangeiros a bordo. Já na estrada de barro a ansiedade era bem maior, afinal era um sonho que estava para se concretizar, e sonhos tem que ser perfeitos, nada poderia dar errado. O microônibus foi margeando o caudaloso Rio Urubamba, o rio sagrado dos Incas que muitos quilômetros à frente suas águas encontram com as do Rio Ucayali, e seguem para desaguar no Solimões, que no encontro com o Rio Negro já em terras brasileiras, se transforma no Rio Amazonas. À medida que seguíamos deu para perceber que a vegetação ao redor ficava mais densa, acho que estávamos no meio de uma floresta tropical.  Logo  começamos  a subir  uma  montanha  em  zig zag  que  terminaria  na  entrada  do  Parque.  No
caminho ficamos perplexos com tanta beleza das paisagens e com o grande número de mochileiros que seguiam em direção a Machu Pichu. A certa altura do percurso avistamos o grande Huyana Picchu, “imponente, simplesmente magnífico.” Chegamos à portaria do Parque, uns 25 minutos depois, pegamos o passaporte de entrada que estava com a gente, carimbamos, e já dentro do parque, fizemos uma caminhada até a parte alta do Santuário, onde juntamente com o guia demos uma parada perto de uma casa inca, que era o centro de controle de entrada na cidade. A visão panorâmica de todo conjunto das construções era realmente espetacular, aquela que vemos em todo cartão postal de Machu Pichu, e que na realidade não nos dá a noção exata da grandiosidade de toda cidade, que só ao vivo podemos ter. Estávamos lá diante do monumental sítio arqueológico, semi-encoberto pela névoa da manhã, porém com os primeiros raios de sol surgindo por trás das montanhas, criando assim um momento mágico, de inigualável beleza. Um colírio para os nossos olhos. Olhando bem a nossa frente o Huyana Pichu, à direita montanhas verdejantes, atrás o portal do sol e a esquerda, bem distante uma cordilheira com vários picos nevados, indescritível. Depois das explicações do guia sobre a construção de Machu Pichu, começamos a exploração das inúmeras atrações da Cidade
da Paz e do Arco-Íris, como os incas a chamavam. A cidade é composta de duas partes distintas: o setor urbano onde ficam os templos e residências e o setor agrícola formado por terraços onde era feito o plantio, irrigado por um sistema de distribuição de água, que compreendia uma seqüência de calhas e túneis escavados nas rochas. Descemos até a área sagrada onde ficam os principais templos: o do sol, o das três janelas e o principal. No templo do Sol, vimos uma janela por onde o sol entra no solstício de inverno (21 de junho). Conhecemos também o Bairro dos Sacerdotes, onde se encontram as habitações, e o Bairro Popular, onde os populares e camponeses habitavam. Algumas casas tiveram seus tetos de palha restaurados, o que permite observar como era a cidade a séculos atrás. Abaixo, a direita está um imenso gramado, onde era a praça da cidade, que dividia o setor urbano em área sagrada e residencial. Subimos e descemos degraus várias vezes, observamos na montanha o perfil do índio, o condor de asas abertas e a face do puma, tiramos várias fotos deste lugar único. Depois seguimos para a rocha sagrada, que fica aos pés do Huyana Pichu. O Intihuatana, como é chamada, apresenta-se de forma a parar o sol nos dois equinócios. Ao meio dia de 21 de março e 21 de setembro, o sol pára quase diretamente em cima do pilar, sem qualquer sombra e, neste momento, diz-se que o sol está “preso” à rocha. Eram nestes períodos que os incas realizavam poderosas cerimônias na pedra. Também existe um alinhamento com o solstício de dezembro (que corresponde ao solstício de verão no hemisfério sul), mas a pedra sagrada era usada sobretudo para os equinócios. Depois dessas explicações o nosso guia se despediu, tinha terminado seu trabalho. Eram pouco mais de 11:00h, quando resolvemos subir o Huayna picchu, mais uma
“escalada” pela frente com centenas de degraus encravados nas rochas, foi nossa sina nesta viagem, subir quando já estávamos tão alto, entretanto vale muito à pena. Para chegar ao cume é necessária uma caminhada de mais ou menos uma hora, por uma trilha bem íngreme. No portão de acesso é preciso colocar em um livro de registro, o nome, o número do passaporte e a hora de entrada na trilha. Isso porque só é permitido o acesso de no máximo 400 pessoas por dia, ou até as 13:00h, mesmo que este número não tenha sido atingido. O Valdir de Uberlândia e o Felipe seguiram na frente, o Peri resolveu não arriscar e preferiu nos aguardar na entrada do parque. A subida foi bastante cansativa, parávamos várias vezes para descansar, afinal estávamos a mais de 2400m de altitude. O esforço valeu a pena, no alto da montanha fica o Templo da Lua e outras ruínas e de lá, tínhamos uma visão privilegiada de toda Cidade Sagrada, com montanhas verdejantes por todos os lados e o rio Urubamba bem lá embaixo correndo em direção ao Brasil, muito bonito, simplesmente espetacular, difícil de descrever com palavras. Tiramos inúmeras fotos neste lugar singular, falamos ao celular com o Brasil e, só não encontramos com o Xará e o Felipe, pois não ficamos sabendo onde eles se meteram. Descansamos um pouco e começamos o caminho de volta, cansados mas felizes, afinal, o sonho de tantos anos finalmente tinha sido concretizado. Posteriormente encontramos o Peri e retornamos para Águas Calientes onde ficamos até o dia seguinte, quando retornaríamos a Cusco.
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segunda-feira, 17 de abril de 2006

PISAQ E OLLANTAYTAMBO - PERU


Acordamos cedo, arrumamos as mochilas pequenas com roupas suficientes para os dois dias que iríamos ficar no vale Sagrado e em Machu Picchu. Fechamos a conta, e deixamos às mochilas grandes guardadas no próprio hotel. A maioria dos Hotéis em Cusco tem esse serviço, a guarda de mochilas enquanto os as pessoas vão a Machu Picchu. Tomamos café e seguimos para a Plaza das Armas, onde um ônibus de turismo nos levaria ao Vale Sagrado dos Incas. Conheceríamos as ruínas das cidades sagradas de Pisaq e Ollantaytambo e de lá, seguiríamos de trem para
Águas Calientes, onde dormiríamos para no dia seguinte conhecer Machu Picchu. O complexo arqueológico de Pisaq fica espalhado pela cidade, mas no alto das montanhas, é o local onde ficam os monumentos mais importantes. Para a nossa satisfação, é possível chegar lá de ônibus. Esse conjunto compreende restos de muralhas, túneis e centros cerimoniais espalhados pelas encostas. No alto fica o monumento mais importante, o templo do sol. A vista lá de cima é maravilhosa e pode-se caminhar pela área arqueológica.Uma parada para o almoço e seguimos para Ollantaytambo. A cidade fica a cerca de 100Km de Cusco e foi uma importante base de resistência contra os espanhóis. Segundo o nosso guia, na aldeia vivem os descendentes dos antigos habitantes da fortaleza, que conservam até os dias de hoje costumes herdados de seus ancestrais. Logo na entrada do sitio arqueológico fica uma gigantesca escadaria de pedra que subimos lentamente. O esforço valeu a pena! De lá podemos observar no alto de uma montanha em frente, a face de um imperador inca esculpida na rocha. O nosso guia nos levou ao templo do sol, um magnífico conjunto de seis grandes blocos de pedras de cor rosada, com cerca de 80 toneladas cada um, que foram trazido de uma pedreira a cerca de 10Km. Fiquei imaginando, como esses Incas conseguiram fazer isto!Retornamos a praça principal de Ollantaytambo, onde pegamos as nossas bagagens no ônibus, que retornaria para Cusco, nós, seguiríamos viagem para Águas Calientes. Como estava cedo (4:00h da tarde) e o nosso trem só partia às 20:00h, resolvemos ir caminhando até a estação ferroviária que ficava a mais ou menos 2Km dali. A estação de Ollantaytambo era pequena e aconchegante e, a tranqüilidade só era quebrada quando chegavam os trens procedentes de Machu Picchu entupidos de turistas que iriam dormir na cidade ou retornariam para Cusco. Faltavam pouco mais de ...
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domingo, 16 de abril de 2006

CUSCO E ARREDORES - PERU

Em Cusco, Qoricancha, Sacsayhuamán , Qenqo e Puca Pucara
Situada a 3.400m de altitude, Cusco, foi a antiga capital do império Inca. É uma cidade de arquitetura colonial que conserva vestígios de construções do período incaico que foi aproveitada pelos espanhóis, para construir suas igrejas e palácios. No ano de 1650 sofreu um terrível terremoto, que devastou toda a cidade, deixando somente de pé as construções Incas. Reconstruída, esta metrópole possui hoje uma boa infra-estrutura, capaz de receber gente do mundo inteiro, interessada em conhecer o que restou de um dos maiores impérios que o mundo já viu. O domingo de páscoa amanheceu frio e chuvoso, saímos para tomar café, no nosso hotel não havia “desayuno”. Seguimos pela calle Plateros e, a menos de um quarteirão, estávamos na Plaza das Armas. Chamava a atenção à grandiosidade da Catedral de Cusco, construída em estilo barroco entre 1559 e 1669, possui três enormes naves e seu formato é de uma cruz. O seu interior é todo decorado com pinturas e esculturas religiosas. Do outro lado da praça, fica a não menos grandiosa Igreja de la Campañia, construída a partir de 1576 pelos jesuítas. Era lá que ficava localizado o Palácio de Huayna Cápac, imperador supremo do império Inca. Ao redor da praça existem construções coloniais com balcões que formam uma cobertura sobre a rua. Nela funcionam inúmeras agências de turismo, lojinhas de artesanatos e restaurantes. No centro da praça fica um enorme chafariz que é rodeado por um belo e bem cuidado jardim. Enquanto tomávamos café, resolvemos que iríamos a uma agência de turismo ali perto para negociar o nosso passeio a Machu Picchu. Tínhamos uma indicação, inclusive com preço. Lá chegando, fomos atendidos por uma funcionária de nome Ada, por sinal muito simpática, que nos mostrou as opções de roteiro. Optamos por fazer o que havíamos planejado, ou seja, City tour em Cusco, passeio pelo Vale Sagrado incluindo Pisaq e Ollantaytambo e visita ao templo sagrado de Machu Picchu. Perguntamos a Dona Ada onde ficava o escritório da LAB em Cusco porque precisávamos resolver o problema do retorno ao Brasil. Ela nos informou que a loja estava fechada e que só abriria no dia seguinte às 8:00h, então resolvemos fazer o city tour naquele dia à tarde. Aproveitamos a parte da manhã para caminhar pela cidade, fazer pequenas compras e nos preparar para o city tour. Após o almoço embarcamos em um micro ônibus com vários turistas de diversas nacionalidades, cuja primeira parada foi uma visita a catedral de Cusco. Em seguida fomos conhecer a Igreja e o convento de Santo domingo, construídos num local onde se situava o mais espetacular templo Inca, o Qoricancha, dedicado ao culto do deus-sol. Lá observamos paredes originais incas, que foram aproveitadas na obra. De lá seguimos para Sacsayhuamán onde pudemos observar os enormes blocos de pedras, que alcançam até 350 toneladas, ajustados com total precisão que resistiram a vários terremotos. Diversas dessas pedras foram trazidas de pedreiras situadas a mais de 20Km de Cusco. Se transportá-las de tão longe – sem rodas – já foi uma proeza difícil de explicar, imagine o que deve ter sido encaixá-las como peças de um quebra cabeça. Coisa de Inca! O próximo local a visitar foi Puca Púcara, localizada numa colina onde ficam as ruínas dessa pequena fortaleza incaica. O conjunto de pedras conserva muros, corredores, salas, aquedutos e fontes. De lá, retornamos em direção a Cusco com uma parada em Qenqo, que era um oratório dedicado ao deus da guerra, e também visitamos um local de venda de artesanato, onde aprendemos a reconhecer a diferença entre os diversos tipos de produtos confeccionados com lã de alpaca. Já estava anoitecendo quando retornamos ao hotel.
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sábado, 15 de abril de 2006

TREM DE PUNO A CUSCO - PERU



Deixando de perambular na trilha, perambulamos por trilho desta vez. Pegamos o trem em Puno pouco depois das 7:00h. Despachamos nossa bagagem e seguimos para o embarque, já no trem tivemos a agradável surpresa de encontrar com os nossos amigos de Uberlândia Valdir e o seu filho Felipe, que conhecemos na subida do monte Chacaltaya e que também seguiriam para Cusco. No trem conhecemos mais duas moças, Carla e Roseli, moradoras do Rio de Janeiro, que estavam fazendo um roteiro bem parecido com o nosso, a diferença é que elas iriam fazer a Trilha inca para Machu Pichu. Elas também estavam com o mesmo problema com o vôo de regresso ao Brasil. O delas, estava marcado para o dia 22 de abril e queriam antecipá-lo para o dia 21 de abril. Pelo menos ficamos sabendo que existia um vou para o Brasil dia 22 e talvez fosse a nossa opção de retorno. O trem da Peru Rail, que faz esta rota, é bastante confortável e com amplas janelas que possibilitam uma visão panorâmica. Este é considerado o trem mais “alto do mundo” que chega aos 4.400m (La Raya) de altitude. Somente turistas viajam nesses vagões. No inicio da viagem, o trem seguiu lentamente margeando o Lago Titicaca, em seguida começamos subir e passar por imensas fazendas de criação de alpacas e vicunhas. Logo o Valdir, de Uberlândia, sentou-se conosco e começamos um bate papo. Falávamos principalmente sobre a beleza da paisagem quando fomos interrompidos por uma simpática funcionária da ferrovia que nos ofereceu uma bebida tradicional da região andina, muito gostosa, de nome Pisco. O Pisco é um produto natural produzido com o suco de uva, fermentado e destilado. Agora a paisagem começa a mudar, entrávamos em terra mais altas e frias, logo começamos a ver as montanhas nevadas da cordilheira Chimboya, lugar onde nasce o rio Vilcanota, um dos principais afluentes do rio Amazonas, que alguns quilômetros mais ao norte converte-se em um caudaloso rio que banha as selvas de Machu Picchu e do Vale Sagrado. O trem fez uma parada em uma localidade chamada La Raya – limite natural entre Puno e Cusco – onde pudemos desembarcar, contemplar e fotografar a beleza da região. Retornamos ao trem e seguimos viagem. Estávamos meio sonolentos quando fomos surpreendidos com uma apresentação folclórica no nosso vagão, um típico casal peruano cantava e dançava com os passageiros, músicas andinas. Muito legal! O trem começou a descer, as montanhas geladas ficaram para trás, o trem agora cortava imensos vales que eram serpenteado pelo belíssimo Rio Huatanay. Pouco tempo depois entramos em uma cidade, o trem diminuiu a velocidade, agora, seguíamos bem devagar, até que paramos em uma estação. Era Cusco, estava terminada a mais bela viagem ferroviária que já fizemos...
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