segunda-feira, 10 de agosto de 1992

PICO DO ALCOBAÇA (ago/1992)






Era um lindo dia de sol de agosto de 1992 e saímos do Rio bem cedo, Eu e o Herbert em direção a Petrópolis, município da região serrana do Estado do Rio de Janeiro, para realizar uma caminhada ao Pico do Alcobaça. O Pico do Alcobaça com 1.787 metros de altitude é uma das mais belas e imponentes montanhas de Petrópolis e é considerado um símbolo do montanhismo petropolitano, pois possui uma localização geográfica privilegiada, proporcionando ao aventureiro um belo visual de 360º de toda Petrópolis. Por sua imponência a montanha pode ser vista de praticamente todas as regiões do Município e de seu cume em dias de sol é possível ver grande parte da Serra dos Órgãos, das montanhas de Itaipava e até mesmo a cidade do Rio de Janeiro. O Pico do Alcobaça possui uma grande e vistosa parede e um enorme diedro que forma um número sete. Esta formação na parede é tão peculiar a ponto de fazer com que o Alcobaça também seja conhecido como "Pedra do Sete". Tanto as encostas do Alcobaça como as da vizinha Pedra da Mãe D’Água - que é uma magnífica rocha que tem o formato de uma pirâmide, dependendo do ângulo em que é vista - faziam parte da antiga Fazenda Alcobaça, que era uma propriedade da Companhia Petropolitana de Tecidos. Após a sua falência, essa grande área foi vendida ao extinto Banco Nacional da Habitação (BNH), que tinha um projeto para a construção de um grande conjunto habitacional. O tipo de ocupação pretendida acarretaria, sem dúvida, uma séria degradação dos recursos hídricos e dos mananciais que abastecem há mais de cem anos o bairro da Cascatinha, em Petrópolis, , sendo até hoje a única fonte de abastecimento de cerca dos 10 mil moradores locais. Por isso, na época houve uma enorme mobilização da comunidade local - principalmente de quem depende da água captada no local -, a qual impediu a construção desse condomínio. Em 1986, por ocasião da extinção do BNH, a área passou ao domínio da Caixa Econômica Federal e para proteção dessa bela área foi criada em 1989 a Reserva Ecológica do Alcobaça, pelo Decreto nº 97.717, ocupando uma área de 2.280.000 m² com altitude que varia aproximadamente entre 825 e 1.040 m, mas somente em 2005 a CEF assinou o termo de doação ao IBAMA da Reserva do Alcobaça. Finalmente o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou no dia 13 de setembro de 2008 um decreto que anexou ao Parque Nacional da Serra do Órgãos as vertentes que compreendem o Pico do Alcobaça e também a Pedra da Mãe D'Água, pois isso mesmo antes de trilhar suas encostas é importante comunicar ao parque a intenção de ir, mas como não passa por nenhuma portaria do parque o ingresso não é cobrado. A área anexada possui mais de 6.000.000 m² e foi requerida por se tratar de um ecossistema representativo da Mata Atlântica, com trechos de mata primária, encontrando-se em excelente estado de conservação. Chegamos ao Bairro do Bonfim e encontramos o restante do grupo, que seria guiado pelo Marcelo do Ar Livre. As 9:00h iniciamos a caminhada que é considerada leve superior e que dura aproximadamente 3 horas até o cume. Existem várias vias de acesso ao Pico do Alcobaça e a mais conhecida fica bem perto da portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos em Petrópolis no Vale do Bonfim localizado no distrito de Corrêas. Pegamos uma estradinha de terra e caminhamos aproximadamente por 30 minutos até chegar a uma bifurcação, onde seguimos à direita em direção a uma plantação de flores, que dependendo da época do ano essa região fica muito bonita e florida - um ótimo lugar para tirar muitas fotos, ainda mais que nesse ponto já é possível ver o Pico do Alcobaça ao fundo, mas em outras épocas o que vamos encontrar é muita vegetação. Neste ponto começa efetivamente a trilha que devemos seguir reto entre a plantação e uma cerca, porém é preciso muita atenção pois a vegetação pode estar alta se estiver fora da temporada de montanhismo. Continuando atravessamos um pequeno riacho que é o último ponto de água da trilha, muitos encheram seus cantis neste local, pelo visto a água é considerada de boa qualidade e o consumo dela é grande, pois o calor era intenso e as subidas muito cansativas. A trilha segue sempre subindo e caso haja alguma bifurcação, sempre escolha a que estiver subindo. A partir do riacho a trilha segue em meio a Mata Atlântica e depois de caminhar cerca de 1:30h a mata começa a diminuir, dando lugar a campos de altitude com várias espécies de belas orquídeas e bromélias. Nesse ponto estamos bem perto do cume, mas essa é a parte mais arriscada da subida, pois a trilha possui uma inclinação média de mais de 60 graus e existem áreas muito escorregadias, precisando ter muito cuidado. Por volta do meio dia chegamos ao cume que é bem largo e plano, onde ficamos tirando muitas fotos e curtindo um extraordinário visual de toda região, com uma cadeia de montanhas ao fundo e muitas plantações de hortaliças ao redor, as 13:30 h iniciamos o retorno chegando ao estacionamento onde deixamos o carro as 16:30h. Realmente vale muito conhecer o Pico do Alcobaça.




















DICAS
1- A trilha para o Pico do Alcobaça que começa no Vale do Bonfim é classificada como leve superior e possui uma duração média de 3 horas (ida) para se vencer um desnível aproximado de 850 metros.


2- Siga sempre as placas das Pousadas Cabanas do Açu e Paraíso do Açu, já que o começo da trilha é bem perto dessas pousadas.


3- Quando Ir - O inverno é a melhor estação do ano para se caminhar/escalar os morros de Petrópolis, principalmente nas de maior duração e/ou com pernoite, pois o tempo é bem mais estável. Nas demais estações é possível ir, mas esteja preparado para chuvas principalmente no final da tarde, no verão as temperaturas podem chegar perto dos 40°C.


4- Como Chegar- De Ônibus: A partir da rodoviária de Petrópolis, pegue o ônibus para o terminal rodoviário Corrêas. Já no terminal, é preciso fazer uma baldeação para pegar o ônibus para o Vale do Bonfim. Descendo no ponto final é preciso continuar subindo a pé pela Estrada do Bonfim. Perto do Tche bar pegue a bifurcação da esquerda para continuar subindo pela estrada. Uns 100 metros antes da entrada para a Pousada Paraíso do Açu (que fica à esquerda), entre em uma bifurcação à direita, que é uma rua de terra bem estreita e esburacada. Se você errar e não entrar nessa bifurcação, em 3 minutos você chegará na portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos ou na Pousada.


5- De Carro: A partir do Rio de Janeiro, siga na direção de Petrópolis pela BR-040. Quase chegando a Petrópolis, não entre na cidade; continue na estrada na direção de Itaipava. Do fim do túnel você deve seguir uma média de 15 à 20 minutos até virar à direita no sentido do bairro de Bonsucesso (nesse ponto você entrará na estrada União Indústria). Depois de passar os bairros de Bonsucesso e Nogueira você chegará à Corrêas, onde pega a Estrada do Bonfim e entre na rua para o Sítio Dghetto, estacione o carro no portão em frente ao sitio.

quarta-feira, 10 de outubro de 1990

PICO DA PEDRA BRANCA (out/1990)



O gosto pela aventura começou muito cedo, desde os meus tempos de menino, quando com meus pais subi por 3 vezes o maciço da Pedra Branca até o cume da Pedra do Ponto, porém nunca tinha ido efetivamente até o Pico da Pedra Branca, bem ali pertinho, talvez por falta de oportunidade. O tempo passou, mas a vontade de conhecer o maior pico da cidade continuou, até que em outubro de 1990 a oportunidade surgiu, pois uma faixa num posto de gasolina, convidava a todos para a subida do mesmo. Assim Eu, Thiago (meu filho), meu sobrinho Rafael(Iéio) e seu pai(Marinho) e meu amigo de fé e irmão camarada Herbert, amigo de tantos caminhos e tantas jornadas, juntamente com seu filho Rafael(Leleu) que iniciamos verdadeiramente a paixão pela aventura que dura até hoje, praticamente foi nesta caminhada onde tudo começou.
O Pico da Pedra Branca ponto culminante da cidade do Rio de Janeiro, com 1024 m de altitude está localizado no parque que leva seu nome. Situado na Zona Oeste da cidade, o Parque Estadual da Pedra Branca foi criado em 1974 e é o maior parque natural urbano do mundo, com área de 12.500 hectares, e para se ter uma idéia que não é pouca coisa, ele possui uma área quase 3 vezes maior que o Parque Nacional da Tijuca. O parque foi criado para proteger os resquícios da nossa Mata Atlântica e nele encontramos além do Pico da Pedra Branca, as represas do Camorim e do Pau da Fome, um antigo aqueduto, antigas fazendas coloniais e um importante patrimônio arquitetônico, com a Capela de São Gonçalo do Amarante, construída em 1625, a Igreja de Nossa Senhora de Monserrat, de 1776, e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e São Boaventura, construída por volta de 1730.
No dia marcado, estávamos nós lá, com um grupo de mais de 50 pessoas, de idades variadas, Thiago com apenas 6 anos, comandados por um guia de nome Mariano, morador da área e conhecedor profundo de todas as parte do parque.
A trilha efetivamente começou pela localidade conhecida pelo nome de Viegas no Bairro de Bangu e ao longo do caminho atravessamos sítios com plantações de hortaliças, laranjas e muita banana, encontramos vários riachos e pequenas cachoeiras e alguns mirantes. Depois de aproximadamente 2 horas de caminhada, paramos para descansar e comer algo num local conhecido como “Caixinha”, reservatório construído pela antiga Fabrica Bangu para captação de água para suas instalações industriais. Seguimos em frente, sempre por trilhas ora floridas ou com muitos e deliciosos frutos de amora silvestre, espécie endêmica na região.
Chegamos ao cume do Pico da Pedra Branca após quase 5 horas de caminhada, com os pequenos Thiago e Rafael firme e forte, esses baixinhos foram guerreiros mesmo. Lá existe uma grande pedra de cerca de 3 metros de altura, que parece que foi cuidadosamente colocada aí só para que o Pico da Pedra Branca ficasse maior que o Pico da Tijuca, já que a diferença entre os dois é de exatamente 3 metros. No alto dessa pedra tem um marco de cimento marcando o ponto mais alto da Cidade do Rio de Janeiro e conseqüentemente o mais alto de todo parque. É uma diversão a parte subir na pedra, ver os outros escorregando além de apreciar o visual lá do alto da pedra, que sinceramente não é grande coisa, dá apenas para ver o Maciço de Gericinó, Maciço do Tinguá, Campo Grande, parte da baixada fluminense e uma linha de montanha ao fundo que é a Serra dos Órgãos ao norte vislumbramos desde o Recreio até a Restinga da Marambaia ao sul.
Ficamos ali por cerca de 1hora, tiramos muitas fotos e resolvemos retornar, pois devido ao grande número de pessoas, o Mariano temia que chegássemos lá embaixo na escuridão, o que não ocorreu, pois chegamos ainda com o dia claro. Terminava ali esta aventura, mas começava outra bem maior que dura até hoje.
Resolvi escrever este artigo, por se tratar de um marco na história do Tô Perambulando, pois como relatado anteriormente, foi aí que tudo começou. Valeu Herbert, pela amizade e pelas aventuras que vivemos e que com certeza viveremos ainda mais, e que o site continue bombando. Um abraço.

Valdir Neves






sábado, 20 de julho de 1985

PRAIA DA SOROROCA - ANGRA DOS REIS/RJ (2)



A segunda caminhada a Praia da Sororoca em Angra dos Reis foi em julho de 1985. O grupo contava com vários amigos, além de meu filho Thiago com apenas 9 meses de idade. A caminhada começou pela Rua dos Pretos Forros em Caetés, seguindo depois pela Rua da Barragem, até chegar a estrada que dá acesso a Praia de Caetés à esquerda e a Praia da Sororoca a direita. Após uma subida suave de quase 1km nesta estrada, com belos visuais da Praia de Garatucaia, de Conceição do Jacareí e bem ao fundo de uma grande serra que faz parte do Parque Estadual de Cunhambebe, chegamos ao local que dá acesso a trilha, onde um muro de pedra com um portão é a senha de entrada. O início da trilha é basicamente composto de vegetação rasteira, e como o sol não nos deu moleza, apesar de estarmos descendo em direção a praia, a situação só foi amenizada com o belo cenário descortinado a nossa frente, que nos apresentava um mar azul e ao fundo grande parte da Ilha Grande, realmente é para parar e refletir um pouco esse presente da Mãe-Natureza. Continuamos descendo, entrando por um trecho de Mata Atlântica, chegando logo a seguir na areia da praia, totalmente deserta, exclusiva somente para nosso grupo. Hehehehehehe.
Esta pequena praia com 150 metros é totalmente envolvida em toda sua extensão por fragmentos da Mata Atlântica, predominando em suas laterais belos costões rochosos, que nos brinda bem em frente com a Ilha Grande. Ela somente é alcançada por trilha ou por via marítima. É uma praia relativamente deserta, porém bem movimentada na temporada de verão e nos finais de semana.

Aproveitamos por mais de 1 hora as águas transparentes, mornas, e calmas com um gostoso banho. Tomamos um banho de água doce em uma cachoeirinha ali existente para tirar o sal do corpo e logo depois retornamos a Garatucaia, através de uma íngreme subida 

segunda-feira, 15 de agosto de 1983

PRAIA DA SOROROCA - ANGRA DOS REIS/RJ








A primeira vez que fomos a Praia da Sororoca em Angra dos Reis foi em agosto de 1983. O grupo contava com minhas irmãs (Tânia e Tárcia), meu tio Vicente, meu primo Rubinho, meu saudoso pai, além de minha esposa e eu. A caminhada começou pela Rua dos Pretos Forros em Caetés, seguindo depois pela Rua da Barragem, até chegar a estrada que dá acesso a Praia de Caetés à esquerda e a Praia da Sororoca a direita. Após uma subida suave de quase 1km nesta estrada, com belos visuais da Praia de Garatucaia, de Conceição do Jacareí e bem ao fundo de uma grande serra que faz parte do Parque Estadual de Cunhambebe, chegamos ao local que dá acesso a trilha, onde um muro de pedra com um portão é a senha de entrada. O início da trilha é basicamente composto de vegetação rasteira, e como o astro-rei estava a todo vapor, apesar de estarmos descendo em direção a praia, a situação só foi amenizada com o belo cenário descortinado a nossa frente, que nos apresentava um mar azul e grande parte da Ilha Grande ao fundo, realmente é para parar e refletir um pouco esse presente da Mãe-Natureza. Continuamos descendo, entrando por um trecho de Mata Atlântica, chegando logo a seguir na areia da praia, totalmente deserta, exclusiva somente para nosso grupo. Hehehehehehe.
Esta pequena praia com 150 metros é totalmente envolvida em toda sua extensão por fragmentos da Mata Atlântica, predominando em suas laterais belos costões rochosos, que nos brinda bem em frente com a Ilha Grande. Ela somente é alcançada por trilha ou por via marítima. É uma praia relativamente deserta, porém bem movimentada na temporada de verão e nos finais de semana.
Aproveitamos por mais de 1 hora as águas transparentes, mornas, e calmas com um gostoso banho, e logo depois retornamos a Garatucaia, através de uma íngreme subida.