domingo, 16 de abril de 1995

PÃO DE AÇÚCAR(abril 1995)



Localizado no Rio de Janeiro, bem na entrada da Baia de Guanabara, o Pão de Açúcar, é talvez, a mais bela e sem dúvida a mais conhecida montanha do Brasil. Muitos pensam que o Pão de Açúcar só é acessível através do bondinho ou escalando seus paredões com diversas vias muito íngremes, que exigem muita dedicação aos treino e equipamentos adequados de escalada, porém poucos sabem que na face direcionada para a Baia da Guanabara, conhecida como Costão do Pão de Açúcar que é menos inclinada existe uma escalaminhada (misto de escalada e caminhada). Não é necessário nenhum conhecimento prévio em montanhismo, apenas muita disposição para encarar o longo percurso até o cume e pode ser feita por pessoas de todas as idades, desde que tenham como pré-requisito, o espírito de aventura. Toda a atividade, entre escalada e descida, tem duração média de 4 horas dependendo do tamanho do grupo. 
Então como somos aventureiros em abril de 1995, Eu, herbert e nossas esposas, juntamente com outros amigos resolvemos desfrutar dessa emocionante aventura que é a conquista de um dos mais famosos cartão-postal do Brasil- o Pão de Açúcar com quase 400 metros de altitude. O ponto de encontro foi as 8:00hs na Praia Vermelha e com tudo checado, seguimos para a pista Claúdio Coutinho, com aproximadamente 1200 metros de comprimento, contornamos o Morro da Urca até chegar ao Costão do Pão de Açucar. Passamos pela torre de alvenaria e alcançamos a trilha em meio a vegetação, desse ponto já conseguimos ver belos visuais da região de Niterói, Baia de Guanabara, Itacoatiara, forte de Sebastião, Alto Mourão, entre outros e após o meio da trilha podem ser avistados a Praia e o Forte de Copacabana e alguns minutos depois de caminhada alternando terreno de terra e rampas de pedra chegamos a base do morro do Pão de Açúcar, onde encontramos um paredão com cerca de 20 metros de altura, praticamente uma escadinha natural cuja subida foi realizada por meio de uma escalada, com todo material de segurança apropriado(cordas e mosquetões) e auxílio do nosso guia. Essa parte da aventura é a mais demorada de todo percurso, pois a subida é realizada de uma pessoa por vez, garantindo assim total segurança. Após a chegada ao cume do Pão de Açúcar, a grande recompensa é a visão que temos de toda Cidade Maravilhosa bem aos nossos pés. Desde a Baía da Guanabara, podemos ver também toda a zona sul, Centro, Região Serrana, Niterói, Urca, etc. É a hora em que paramos para descansar e fazer o nosso lanche. A descida é feita em parte pelo bondinho até o Morro da Urca e o restante até a Praia Vermelha pela trilha.

A subida do Pão de Açúcar pelo costão é um passeio inesquecível que enche os olhos com paisagens deslumbrantes só vistas pelos aventureiros que se arriscam por este caminho, vale muito conferir.

DICAS

1. O melhor período para a realização dessa subida é pela manhã bem cedo ou na parte da tarde, quando a parede está na sombra. No período da manhã, no sol, depois das 10:00 h o calor pode ser muito forte.

2. A recomendação da Federação de Montanhismo é que o grupo tenha no máximo 7 pessoas.





sexta-feira, 10 de março de 1995

TRAVESSIA PETRÓPOLIS X TERESÓPOLIS VIA VALE DA TAPERA - RJ






Quando se fala em travessia entre Petrópolis e Teresópolis, a primeira que vem a cabeça é a mais famosa do Brasil, cortando as altitudes do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, passando por inúmeros e belos vales e por imponentes montanhas e pedras como a do Castelos do Açu e do Sino. Mas, além desse trajeto com quase 40 quilômetros, existe outras alternativas de caminhada entre os dois municípios. Uma delas é uma que tem início no Vale do Cuiabá, em Petrópolis e término na cidade vizinha, no bairro da Posse, em Teresópolis. Além de poder admirar toda a beleza da região, suas montanhas e natureza exuberante, pode-se incluir na aventura a caminhada até o cume da Pedra do Cantagalo e da Tapera.
Com o objetivo de realizar esta travessia, Eu, Herbert e outros amigos saímos do Rio de Janeiro e subimos a Serra com destino a Petrópolis, precisamente para a Estrada que liga Itaipava a Teresópolis, onde iniciamos a trilha próximo a curva da Ferradura, já com uma altitude de 1320 metros. Desse ponto já visualizamos a imponente Pedra do Cantagalo com 1.785 metros de altitude, e após aproximadamente 2 km chegamos a um vilarejo conhecido como Tapera, que faz parte do bairro Vale da Boa Esperança. O que chama a atenção nessa região é a simplicidade de seus moradores, várias casinhas de pau-a-pique, água captada nas nascentes e em algumas delas não há sequer energia elétrica, apesar da proximidade com duas cidades e tendo como vizinho um grande condomínio. Bastante atenciosos, os moradores nunca deixam de cumprimentar os caminhantes e informar o caminho correto: à esquerda de um castigado campinho de futebol e depois a trilha da direita. Pegamos uma subida de aproximadamente 3km até a base do Cantagalo, é a parte mais cansativa da trilha, não fomos até o cume, porém dava pra ver algumas das principais montanhas da região serrana, como Maria Comprida, Alcobaça e a Pedra da Tapera, ou Carneiro como também é conhecida. Passamos por um local com árvores de médio porte e de muitas bromélias, apresentando uma natureza bem preservada e chegamos a uma parte da trilha conhecida como 7 torres, e depois uma grande descida até o centrinho do Bairro da Posse já em Teresópolis 
Para quem gosta de caminhar, essa travessia é muito bonita, mesmo sem ir ao cume do Cantagalo. Indo ao Cantagalo são 16 quilômetros no total, sendo classificada como pesada, passando direto e descendo pelas torres, são 12 quilômetros, sendo considerada uma caminhada semi-pesada.











terça-feira, 28 de junho de 1994

PEDRA BONITA 2

Segunda conquista da Pedra Bonita em junho de 1994.
Ver relato da trilha em Pedra Bonita, abril de 1993.
Neblina na trilha

Grupo no cume


Filhos e sobrinhos no cume

Thiago e Juju com Barra da Tijuca ao fundo

Shirley e crianças no cume

Shirley no cume

Começando a descer
Thiago e Juju na rampa de voo de asa delta

Juju na rampa

Galera descendo
Descendo

sábado, 23 de abril de 1994

CACHOEIRAS DE ARARAS - PETRÓPOLIS/RJ



Saímos da cidade do Rio de Janeiro e seguimos para Petrópolis na Região Serrana do Estado, mais precisamente para o distrito de Araras. Esta localidade e de fácil acesso pela Br-040, rodovia que  liga o Rio a  Juiz de Fora. Chegando em Araras entramos na bela estrada que possui 22 quilômetros de asfalto precário, porém emoldurada por uma paisagem exuberante, com o ar perfumado de alecrim, graças às cercas vivas que protegem boa parte das vistosas propriedades. Ao longo do trajeto vão surgindo os restaurantes convidativos, as fazendas do tempo do café e até mesmo um postinho de gasolina e suas lindas e antigas bombas vintages. Com todo esse cenário a antiga estrada, batizada de Rota 22 vai se mostrando agradável e nostálgica. De certo trecho observamos também o imponente Pico Maria Comprida, como um sentinela protegendo todo seu vale, é uma ótima opção de trilha para os amantes das montanhas e outras excelentes opções para quem procura recantos românticos e um ambiente natural preservado, aliados ao trato acolhedor de sua gente. Esta estrada liga Araras ao Vale das Videiras pela serra e para atravessá-la, não é preciso ter um jipe off-road 4x4, basta ter somente um pouco de paciência, pois são 20 minutos de curvas acentuadas e ladeiras bem inclinadas. Se o objetivo for apenas chegar até o vale, a viagem pode ser curta, porém se a intenção for conhecer as atrações turísticas  da região é preciso começar cedo. As boas paradas são muitas e o destino promete boas surpresas, todas na linha do eco-turismo-rural com um silêncio de fazer inveja a qualquer habitante da cidade grande. O roteiro pode ser mais radical para quem gosta de se aventurar em trilhas, mas a nova onda na região é essa combinação de turismo rural com pinceladas de ecologia. Neste roteiro atravessamos de carro uma das grandes APAs do município de Petrópolis. Por volta do 14º quilômetro eis que surge a Cachoeira da Ponte Funda, exibindo imponente todos os seus 20 metros de altura. Conhecida como cachoeira do Vale das Videiras, ela fica localizada em uma área preservada pelo Parque Municipal Cachoeira da Ponte Funda e pode ser avistada, pelos mais atentos, da janela do carro no sentido de Videiras. Encostamos o carro na estrada mesmo, e aproveitamos o calor que fazia para um gostoso e revigorante banho numa agradável piscina natural, cujas águas estavam límpidas e geladas. Aproveitamos a oportunidade e realizamos uma exploração a montante do Córrego Ponte Funda, onde descobrimos outras gostosas cachoeiras e conhecemos mais um pouco da mata ciliar ali existente.
Conversamos com os moradores da região, e descobrimos que a Rota 22 era um antigo circuito turístico, hoje abandonado, que chega até Paty de Alferes, esticando mais 25 km após o Vale das Videiras. Curtimos muito esse passeio com nossos familiares, incluindo aí um pequeno trekking. Realmente foi um sábado legal.







quarta-feira, 28 de abril de 1993

PEDRA BONITA







A Pedra Bonita com altitude de 696 metros é uma das muitas atrações do Parque Nacional da Tijuca, sendo uma bela montanha que possui um amplo e plano cume rochoso que foi totalmente desmatada em todo seu entorno no tempo do Império para que sua cobertura original de Mata Atlântica fosse transformada em carvão. Ficaram apenas alguns resquícios dessa floresta original nos locais de difícil acesso. A partir daí foi abandonada e não passou pelo mesmo processo de recuperação que ocorreu em outras áreas da Floresta da Tijuca. O desmatamento causou o empobrecimento do solo, levado pelas chuvas e pela ação do vento. Com a criação do Parque Nacional em 1967 e mais o declínio do valor comercial de algumas culturas lá existentes, a Pedra Bonita teve o seu número de moradores drasticamente reduzido, o que possibilitou o avanço de uma floresta secundária. Porém, esta floresta não conseguiu voltar a ocupar todos os espaços originais ocupados por uma vegetação rasteira por razão de diversos fatores tais como: incêndios, ocupações ocasionais e pequenos desmatamentos, que colocam em risco o processo natural de recuperação da fauna constituída, na sua maioria, de pequenos animais como: mico, gambá, paca, tucano, lagarto, cobras, gaviões, entre outros.e da flora que possuía uma cobertura vegetal original de Mata Atlântica primária. A Pedra Bonita pela maravilhosa vista que proporciona e por estar situada entre os bairros de São Conrado e Barra da Tijuca e ainda se encontrar numa impressionante e privilegiada localização bem de frente a Pedra da Gávea, foi contemplada para ser o local da primeira rampa de vo
o livre da cidade do Rio de Janeiro, e com certeza é a que possui o melhor visual.

Por 3 vezes Eu e o Herbert, juntamente com nossos familiares e amigos conquistamos a Pedra Bonita, a primeira em abril de 1993, depois em junho de 1994 e por último em julho de 1996, sempre com a mesma emoção e dedicação como se fosse a primeira vez. Nas primeiras 2 vezes deixamos o carro estacionado na Estrada das Canoas, bem em frente a sede da IBM, já na terceira vez deixamos bem acima, no estacionamento próximo a rampa onde o pessoal que vai voar deixam os seus. A trilha para a Pedra Bonita é relativamente fácil, e apesar de ser um pouco íngreme, pode ser feita sem grandes dificuldades por qualquer pessoa, sendo recomendada para toda a família e indicada principalmente para aqueles que não tem muita experiência em trilhas, já que não exige muito preparo físico.
A trilha principal é um antigo caminho colonial, ainda é possível encontrar na trilha resquícios de um calçamento em pé-de-moleque que foi construído por antigos moradores da área, e começa realmente um pouquinho abaixo deste estacionamento, do lado direito de quem sobe, onde há uma indicação do início da trilha, que possui cerca de 1340 metros somente de ida até o topo da Pedra, com duração média de 1 hora. Na parte inicial a vegetação é mais preservada tornando a temperatura mais amena e a caminhada mais agradável. Continuamos a subida por uma pequena parte de bonita Mata Atlântica em regeneração passamos por mirantes que permite a visão de lindas paisagens da Cidade Maravilhosa como o Pico da Tijuca, o Alto da Boa Vista, um pedaço da Baia da Guanabara e bem longe a Serra dos Órgãos. Após alguns minutos de caminhada chegamos em uma bifurcação, que à direita é o acesso ao Morro do Chapecó. Seguimos em frente e nesta parte do percurso há pouca vegetação, o que faz a galera ficar mais exposta ao sol, porém mesmo assim caminhada continua legal e muito interessante,  e também com alguns mirantes mostrando as belezas do Rio, como é o caso da vista da Agulhinha da Gávea e o Morro do Cochrane. Seguimos em frente e na parte final da caminhada encontramos pequenas subidas que superamos sem maiores dificuldades e já próximo ao cume avistamos a Pedra da Gávea bem a nossa frente, um momento realmente indescritível, muito lindo mesmo.



No topo além da Pedra da Gávea se descortina uma incrível visão de toda cidade, como o Morro do Corcovado com o Cristo Redentor, parte da Floresta da Tijuca, o Morro dos Dois Irmãos, a Rocinha e as Praias da Zona Sul, São Conrado e Barra da Tijuca e a direita, bem ao fundo, ainda podemos ver o Maciço da Pedra Branca.
Ficamos ali por aproximadamente 1:30h, onde lanchamos, descansamos, tiramos muitas fotos e retornamos pela Trilha do Escorrega, que fica à direita da trilha normal e pertinho dali. É uma caminhada com um declive bem acentuado e com vários pontos com erosão em que descemos literalmente escorregando, fazendo jus ao nome, porém bem mais curta e que termina mais próximo da rampa de vôo livre. Finalizamos o passeio na rampa observando o vôo da turma saltando de parapente e asa delta, inclusive de meus sobrinhos Leleu e Camila.

Finalizando a ascensão a Pedra Bonita é uma caminhada de fácil acesso e leve, podendo ser feita por qualquer pessoa e poder de seu cume apreciar magníficas vistas de toda Cidade Maravilhosa, além de um dos mais belos pôr-do-sol de todo Estado.

Dicas
1- Quando Ir - Todas as estações são boas para caminhar até a Pedra Bonita, entretanto no verão as temperaturas podem chegar aos 40°C e as tempestades são freqüentes, principalmente no final da tarde. Nas demais estações a temperatura é mais amena tornando o passeio mais agradável.
2- Aproveite para conhecer a rampa de Vôo Livre e a trilha da Agulhinha (10 minutos). Vale a pena. Tente fazer a trilha nos dias de semana, já que o parque fica bastante cheio aos sábados e domingos.
3- Como chegar: Seguir pela Orla até São Conrado. Subir a Estrada das Canoas até a rampa de Asa-delta. Dali, começa a trilha para a Pedra Bonita.
4- Localização: Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ - Você chega à Pedra Bonita através da Estrada das Canoas, em São Conrado.

sábado, 26 de setembro de 1992

CASTELO DO AÇU (set/1992)


Inicio da primavera de 1992, Eu e o Herbert partimos do Rio para Petrópolis, mais precisamente para o Vale do Bonfim para realizar uma linda aventura até os Castelos do Açú no Parque Nacional da Serra dos Órgãos(PARNASO). No Parque a vegetação predominante é a de Mata Atlântica, onde encontram espécies raras de árvores e por onde circulam diversos representantes da fauna brasileira, como quatis, pacas, macacos e aves. Rios e cachoeiras descem a montanha coberta pela mata tropical com ótimas oportunidades para um banho refrescante e observação privilegiada de uma flora rica em bromélias e orquídeas. Pela noite, a observação das estrelas e nebulosas torna-se a atividade mais encantadora. O cume situado a 2245m de altitude e com um percurso de pouco mais de 7Km, dura aproximadamente 6 horas para um montanhista médio atingi-lo, sendo esta caminhada considerada pesada devido a grande variação altitudinal. Estacionamos o carro próximo a Pousada Cabanas do Açu e caminhamos um pequeno trecho até a portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos situado a uma altitude de 1100m, onde realizamos a parte burocrática para entrada, como pagamento e assinatura do termo de responsabilidade. Começamos efetivamente a caminhada as 9:00h e após cerca de 1:00h chegamos ao local onde existe uma entrada a esquerda para a Gruta do Presidente e a Cachoeira Véu da Noiva. Seguimos em frente e subimos uma trilha em zig-zag bastante íngrime e descampada, com muito capim gordura até chegarmos a grande Pedra do Queijo, um bom local para descansar, lanchar e de quebra curtir uma bela vista panorâmica de todo Vale do Bonfim com destaque para a Pedra do Cone e os picos do Alcobaça, do Alicate e outras montanhas de Petrópolis. Depois do Queijo a subida continua e depois desce um pouco até o Morro das Samambaias, que é marcado pela única árvore existente neste trecho. Continuamos na trilha e após mais de 50 min de subida chegamos à nascente do Ájax, um ponto obrigatório para a coleta de água, pois é o último local com fonte de água antes do Açu. Atualmente o acampamento neste local é proibido, mas na época de nossa passagem por alí era permitido. Após a passagem pelo Ajax iniciamos o trecho de subida mais íngreme de toda caminhada, conhecido como Isabeloca, em homenagem a princesa Isabel que supostamente teria passado pelo local em lombo de mulas ou costumava caçar Capivaras nessa região, e quando os escravos a viam, comentavam entre eles: “Lá vem a “Isabeloca”. Ao fim da Isabeloca chegamos a um imenso Chapadão, de onde se avista a Pedra do Açu e o pico do Cruzeiro, seguimos para a esquerda num trecho mais plano, formado por campos de altitude e lages de pedra que se fazem presentes até a chegada aos Castelos do Açú. Este trecho é caracterizado pela presença de marcos feitos com pilhas de pedras e setas desenhadas no chão. A região é costumeiramente dominada por densos nevoeiros que escondem os marcos com facilidade e para quem não conhece a região e se orienta apenas por relatos é a primeira área onde é possível se perder, por isso todo cuidado é pouco. Caminhamos um pouco mais até chegarmos ao nosso objetivo, os Castelos do Açu que são formações rochosas no cume da montanha, revelando um ambiente místico e ao mesmo tempo um visual indescritível da Baía da Guanabara, do Dedo de Deus, Pedra do Sino, Garrafão, Escalavrado, entre outros. Com tempo bom é possível avistar o Pão de Açucar, o Corcovado e a Pedra da Gávea na Cidade do Rio de Janeiro.Nessa interessante formação rochosa, cheia de reentrâncias é possível se abrigar do frio, da chuva e do vento. Muitos acampam neste lugar, pois é o ponto recomendado para pernoite, principalmente para quem faz a Travessia Petrópolis x Teresópolis. No local existem dois abrigos rudimentares construídos com pedras empilhadas por antigos montanhistas. Recentemente foi construído um abrigo idêntico ao existente próximo à Pedra do Sino. Um pouco mais a frente dos Castelos encontramos o Pico da Cruz que é o segundo ponto culminante do parque, a cruz que foi colocada na montanha é uma homenagem a um grupo de montanhistas mortos em uma tempestade elétrica no ano de 1992, e é deste ponto de onde normalmente se admira o pôr do sol. Exploramos bastante a área ao redor dos Castelos e por volta das 14:00h iniciamos o retorno, chegando ao estacionamento cerca de 4h depois, já quase escuro, e muito feliz por ter conseguido mais uma conquista de uma das mais belas montanhas da região. Gente vale muito, mais muito mesmo conhecer o monumental e lindo Castelos do Açu.














DICAS
1- Não esqueça de levar um bom filtro solar, mesmo quando o tempo estiver encoberto.
2- Como Chegar
De Ônibus: Chegando em Petrópolis, pegar um ônibus até o terminal de Corrêas, e lá pegar o ônibus para Bonfim. Descer no ponto final e seguir siga as placas das Pousadas Cabanas do Açu e Paraíso do Açu, já que a entrada do Parque é vizinha a essas pousadas.
De Carro: A partir do Rio de Janeiro siga na direção de Petrópolis pela BR-040, quase chegando a Petrópolis não entre na cidade, continue na estrada na direção de Itaipava, do fim do túnel você deve seguir uma média de 15 à 20 minutos até virar a direita no sentido do bairro de Bonsucesso, você entrará na estrada União Industria, depois de passar dos bairros de Bonsucesso e Nogueira você chegará á Corrêas, entre a esquerda e contorne a praça de Corrêas, entre na Rua Agostinho Goulão e mais a frente vire a direita na Estrada do Bonfim, é uma subida de mais de 30 minutos, siga as placas das Pousadas Cabanas do Açu e Paraíso do Açu, já que a entrada do Parque é vizinha a essas pousadas.

segunda-feira, 10 de agosto de 1992

PICO DO ALCOBAÇA (ago/1992)






Era um lindo dia de sol de agosto de 1992 e saímos do Rio bem cedo, Eu e o Herbert em direção a Petrópolis, município da região serrana do Estado do Rio de Janeiro, para realizar uma caminhada ao Pico do Alcobaça. O Pico do Alcobaça com 1.787 metros de altitude é uma das mais belas e imponentes montanhas de Petrópolis e é considerado um símbolo do montanhismo petropolitano, pois possui uma localização geográfica privilegiada, proporcionando ao aventureiro um belo visual de 360º de toda Petrópolis. Por sua imponência a montanha pode ser vista de praticamente todas as regiões do Município e de seu cume em dias de sol é possível ver grande parte da Serra dos Órgãos, das montanhas de Itaipava e até mesmo a cidade do Rio de Janeiro. O Pico do Alcobaça possui uma grande e vistosa parede e um enorme diedro que forma um número sete. Esta formação na parede é tão peculiar a ponto de fazer com que o Alcobaça também seja conhecido como "Pedra do Sete". Tanto as encostas do Alcobaça como as da vizinha Pedra da Mãe D’Água - que é uma magnífica rocha que tem o formato de uma pirâmide, dependendo do ângulo em que é vista - faziam parte da antiga Fazenda Alcobaça, que era uma propriedade da Companhia Petropolitana de Tecidos. Após a sua falência, essa grande área foi vendida ao extinto Banco Nacional da Habitação (BNH), que tinha um projeto para a construção de um grande conjunto habitacional. O tipo de ocupação pretendida acarretaria, sem dúvida, uma séria degradação dos recursos hídricos e dos mananciais que abastecem há mais de cem anos o bairro da Cascatinha, em Petrópolis, , sendo até hoje a única fonte de abastecimento de cerca dos 10 mil moradores locais. Por isso, na época houve uma enorme mobilização da comunidade local - principalmente de quem depende da água captada no local -, a qual impediu a construção desse condomínio. Em 1986, por ocasião da extinção do BNH, a área passou ao domínio da Caixa Econômica Federal e para proteção dessa bela área foi criada em 1989 a Reserva Ecológica do Alcobaça, pelo Decreto nº 97.717, ocupando uma área de 2.280.000 m² com altitude que varia aproximadamente entre 825 e 1.040 m, mas somente em 2005 a CEF assinou o termo de doação ao IBAMA da Reserva do Alcobaça. Finalmente o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou no dia 13 de setembro de 2008 um decreto que anexou ao Parque Nacional da Serra do Órgãos as vertentes que compreendem o Pico do Alcobaça e também a Pedra da Mãe D'Água, pois isso mesmo antes de trilhar suas encostas é importante comunicar ao parque a intenção de ir, mas como não passa por nenhuma portaria do parque o ingresso não é cobrado. A área anexada possui mais de 6.000.000 m² e foi requerida por se tratar de um ecossistema representativo da Mata Atlântica, com trechos de mata primária, encontrando-se em excelente estado de conservação. Chegamos ao Bairro do Bonfim e encontramos o restante do grupo, que seria guiado pelo Marcelo do Ar Livre. As 9:00h iniciamos a caminhada que é considerada leve superior e que dura aproximadamente 3 horas até o cume. Existem várias vias de acesso ao Pico do Alcobaça e a mais conhecida fica bem perto da portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos em Petrópolis no Vale do Bonfim localizado no distrito de Corrêas. Pegamos uma estradinha de terra e caminhamos aproximadamente por 30 minutos até chegar a uma bifurcação, onde seguimos à direita em direção a uma plantação de flores, que dependendo da época do ano essa região fica muito bonita e florida - um ótimo lugar para tirar muitas fotos, ainda mais que nesse ponto já é possível ver o Pico do Alcobaça ao fundo, mas em outras épocas o que vamos encontrar é muita vegetação. Neste ponto começa efetivamente a trilha que devemos seguir reto entre a plantação e uma cerca, porém é preciso muita atenção pois a vegetação pode estar alta se estiver fora da temporada de montanhismo. Continuando atravessamos um pequeno riacho que é o último ponto de água da trilha, muitos encheram seus cantis neste local, pelo visto a água é considerada de boa qualidade e o consumo dela é grande, pois o calor era intenso e as subidas muito cansativas. A trilha segue sempre subindo e caso haja alguma bifurcação, sempre escolha a que estiver subindo. A partir do riacho a trilha segue em meio a Mata Atlântica e depois de caminhar cerca de 1:30h a mata começa a diminuir, dando lugar a campos de altitude com várias espécies de belas orquídeas e bromélias. Nesse ponto estamos bem perto do cume, mas essa é a parte mais arriscada da subida, pois a trilha possui uma inclinação média de mais de 60 graus e existem áreas muito escorregadias, precisando ter muito cuidado. Por volta do meio dia chegamos ao cume que é bem largo e plano, onde ficamos tirando muitas fotos e curtindo um extraordinário visual de toda região, com uma cadeia de montanhas ao fundo e muitas plantações de hortaliças ao redor, as 13:30 h iniciamos o retorno chegando ao estacionamento onde deixamos o carro as 16:30h. Realmente vale muito conhecer o Pico do Alcobaça.




















DICAS
1- A trilha para o Pico do Alcobaça que começa no Vale do Bonfim é classificada como leve superior e possui uma duração média de 3 horas (ida) para se vencer um desnível aproximado de 850 metros.


2- Siga sempre as placas das Pousadas Cabanas do Açu e Paraíso do Açu, já que o começo da trilha é bem perto dessas pousadas.


3- Quando Ir - O inverno é a melhor estação do ano para se caminhar/escalar os morros de Petrópolis, principalmente nas de maior duração e/ou com pernoite, pois o tempo é bem mais estável. Nas demais estações é possível ir, mas esteja preparado para chuvas principalmente no final da tarde, no verão as temperaturas podem chegar perto dos 40°C.


4- Como Chegar- De Ônibus: A partir da rodoviária de Petrópolis, pegue o ônibus para o terminal rodoviário Corrêas. Já no terminal, é preciso fazer uma baldeação para pegar o ônibus para o Vale do Bonfim. Descendo no ponto final é preciso continuar subindo a pé pela Estrada do Bonfim. Perto do Tche bar pegue a bifurcação da esquerda para continuar subindo pela estrada. Uns 100 metros antes da entrada para a Pousada Paraíso do Açu (que fica à esquerda), entre em uma bifurcação à direita, que é uma rua de terra bem estreita e esburacada. Se você errar e não entrar nessa bifurcação, em 3 minutos você chegará na portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos ou na Pousada.


5- De Carro: A partir do Rio de Janeiro, siga na direção de Petrópolis pela BR-040. Quase chegando a Petrópolis, não entre na cidade; continue na estrada na direção de Itaipava. Do fim do túnel você deve seguir uma média de 15 à 20 minutos até virar à direita no sentido do bairro de Bonsucesso (nesse ponto você entrará na estrada União Indústria). Depois de passar os bairros de Bonsucesso e Nogueira você chegará à Corrêas, onde pega a Estrada do Bonfim e entre na rua para o Sítio Dghetto, estacione o carro no portão em frente ao sitio.